- Um estudo publicado na revista PLOS One indica que a curva de infelicidade na saúde mental, que costumava ser mais acentuada na meia-idade, está desaparecendo.
- A pesquisa analisou dados de mais de 10 milhões de adultos nos Estados Unidos e 40 mil lares no Reino Unido, revelando que os jovens enfrentam problemas de saúde mental desde cedo.
- Os adultos acima de 40 anos, por outro lado, mantêm níveis de bem-estar estáveis.
- Entre as causas apontadas estão o impacto da pandemia, a crise de moradia e o uso excessivo de smartphones.
- O estudo destaca que as mulheres jovens apresentam níveis de infelicidade significativamente mais altos do que os homens em todos os países analisados.
Um novo estudo publicado na revista PLOS One revela que a curva de infelicidade na saúde mental, que tradicionalmente apresentava um pico na meia-idade, está desaparecendo. A pesquisa, que analisou dados de mais de 10 milhões de adultos nos Estados Unidos e 40 mil lares no Reino Unido, mostra que os jovens estão enfrentando problemas de saúde mental desde cedo, enquanto os adultos mais velhos mantêm níveis de bem-estar estáveis.
Os pesquisadores observaram que a infelicidade dos jovens começa em um patamar elevado e tende a piorar ao longo da vida. Em contraste, a saúde mental dos adultos acima de 40 anos permanece relativamente inalterada. O estudo também incluiu dados de quase 2 milhões de pessoas em 44 países, confirmando que essa tendência é global.
Causas Identificadas
Entre as possíveis causas para essa nova realidade, os autores mencionam o impacto da pandemia, a crise de moradia e o uso excessivo de smartphones. David G. Blanchflower, economista da Universidade de Londres e autor principal do estudo, destaca que o acesso à internet e às redes sociais é um fator comum entre jovens de diferentes países, como Alemanha e Estados Unidos. Em nações em desenvolvimento, aqueles sem acesso à internet não apresentam os mesmos níveis de mal-estar.
O estudo também revela que as mulheres jovens enfrentam níveis de infelicidade significativamente mais altos do que os homens em todos os países analisados. Dados anteriores indicam que essa questão afeta o dobro das garotas em comparação aos meninos, conforme apontado pelo estudo HBSC, publicado pelo Ministério da Saúde espanhol.
Implicações Futuras
As conclusões do estudo são alarmantes, especialmente considerando que as taxas de depressão e ansiedade entre adolescentes aumentaram em 50% desde 2010. A crise de saúde mental entre a geração Z, que inclui indivíduos nascidos a partir de 1996, é mais severa do que em qualquer outra geração anterior. Blanchflower observa que, à medida que esses jovens envelhecem, não há garantias de que não enfrentarão os mesmos desafios que as gerações passadas.
A pesquisa sugere que a tendência global exige atenção urgente de governos e sociedade civil para reverter o declínio do bem-estar juvenil. Blanchflower propõe restringir o uso de smartphones e incentivar atividades sociais ao ar livre, promovendo um retorno à infância e ao brincar.
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