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Ultraprocessados dominam a alimentação dos brasileiros, revela novo mapa nutricional

Estudo revela que 20,2% das calorias consumidas no Brasil vêm de ultraprocessados, evidenciando desigualdades regionais e a necessidade de políticas públicas eficazes

Três crianças sentadas em uma sala de aula clara e iluminada. A criança em primeiro plano, com camiseta azul, sorri enquanto segura um biscoito, com um pote de lanche amarelo à frente. Ao fundo, duas meninas, uma de macacão jeans e outra com camisa xadrez, também estão comendo. (Foto: USP Imagens)
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  • Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) revelou que 20,2% das calorias consumidas no Brasil vêm de alimentos ultraprocessados.
  • O estudo analisou dados de 5.570 municípios, utilizando informações do Censo Demográfico de 2010 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017-2018.
  • Em Florianópolis, mais de 30% das calorias são de ultraprocessados, enquanto em Aroeira do Itaim, no Piauí, essa porcentagem é inferior a 6%.
  • O consumo é maior em capitais e áreas urbanas, com os Estados do Sul e Sudeste apresentando as maiores médias, exceto o Espírito Santo.
  • O pesquisador Leandro Cacau destaca a importância de políticas públicas para combater o alto consumo, como as leis em Niterói e Rio de Janeiro que proíbem a venda de ultraprocessados nas cantinas escolares.

Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP revelou que 20,2% das calorias consumidas no Brasil provêm de alimentos ultraprocessados, com variações significativas entre os municípios. O estudo, publicado na Revista de Saúde Pública, foi conduzido pelo pesquisador Leandro Cacau e analisou dados de 5.570 cidades, utilizando informações do Censo Demográfico de 2010 e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2017-2018.

Os resultados mostram que em Florianópolis, mais de 30% das calorias são de ultraprocessados, enquanto em Aroeira do Itaim, no Piauí, essa porcentagem é inferior a 6%. As capitais e áreas urbanas apresentam um consumo mais elevado em comparação com áreas rurais. O estudo também destacou que a participação calórica de ultraprocessados varia entre regiões, com os Estados do Sul e Sudeste apresentando as maiores médias, exceto o Espírito Santo.

Desafios e Políticas Públicas

Cacau enfatiza que o alto consumo de ultraprocessados em algumas regiões é alarmante, mas ressalta que baixos índices não garantem uma dieta saudável. A pesquisa visa auxiliar na formulação de políticas públicas, especialmente em locais com altos índices de consumo. Niterói e Rio de Janeiro já implementaram leis que proíbem a venda de ultraprocessados nas cantinas escolares, buscando combater a obesidade infantil.

Em Santa Catarina, todos os municípios têm estimativas acima de 20%, com Curitiba alcançando 26,3%. Esses dados são relevantes para a estratégia “Alimenta Cidades”, do governo federal, que visa promover a segurança alimentar em 60 municípios prioritários.

Qualidade da Alimentação

Embora a pesquisa mostre que regiões com menor consumo de ultraprocessados tendem a consumir mais alimentos in natura, isso não implica em uma dieta equilibrada. Um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) indica que muitos domicílios de baixa renda consomem alimentos básicos, mas carecem de variedade, como frutas e verduras.

A pesquisa de Cacau também aponta a necessidade de dados mais detalhados sobre gênero, renda e etnia, além de indicadores sobre a qualidade nutricional das dietas. Maria Laura Louzada, coautora do estudo, sugere que os resultados podem embasar programas de educação nutricional e políticas que incentivem a agricultura familiar, visando uma alimentação mais saudável e acessível.

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