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Ondas de calor podem causar envelhecimento semelhante ao do tabagismo

Estudo em Taiwan revela que ondas de calor aceleram envelhecimento biológico em até 12 dias, destacando riscos para saúde pública

Calor mata e pode comprometer a saúde, aponta cientista. (Foto: Nicolas Buechi/Adobe Stock)
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  • Um estudo em Taiwan revelou que dois anos de exposição a ondas de calor podem acelerar o envelhecimento biológico em até 12 dias.
  • A pesquisa, publicada na revista Nature Climate Change, analisou dados de saúde de quase 25 mil adultos ao longo de 15 anos.
  • Grupos vulneráveis, como idosos e pessoas sem ar-condicionado, são mais afetados pelo envelhecimento acelerado.
  • A professora assistente na Universidade de Hong Kong, Cui Guo, destacou que a aceleração do envelhecimento pode indicar riscos sérios à saúde.
  • Os resultados sugerem a necessidade de intervenções de saúde pública, como programas de assistência para aquisição de ar-condicionado, embora essa solução tenha implicações ambientais.

A mudança climática tem intensificado as ondas de calor, afetando a saúde da população em diversas regiões do mundo. Um estudo recente realizado em Taiwan revela que dois anos de exposição a essas ondas de calor podem acelerar o envelhecimento biológico em até 12 dias. A pesquisa, publicada na revista *Nature Climate Change*, analisou dados de saúde de quase 25 mil adultos ao longo de 15 anos.

Os cientistas descobriram que a exposição prolongada ao calor pode ter efeitos cumulativos significativos. A professora assistente na Universidade de Hong Kong, Cui Guo, destacou que, embora a diferença de dias possa parecer pequena, ela se acumula ao longo do tempo. O estudo foi divulgado em um contexto em que a mudança climática está tornando as ondas de calor mais frequentes e severas, com a costa oeste dos EUA e a Europa enfrentando temperaturas extremas.

Vulnerabilidade e Implicações

A pesquisa identificou que grupos específicos, como pessoas mais velhas e aquelas que vivem sem ar-condicionado, são mais vulneráveis ao envelhecimento acelerado. Guo observou que o envelhecimento biológico está relacionado a problemas de saúde, e a aceleração desse processo pode indicar riscos sérios. Além disso, a análise considerou fatores como exercício físico, tabagismo e doenças preexistentes.

Em comparação, um estudo nos Estados Unidos revelou que viver em temperaturas de 32ºC por pelo menos 140 dias ao ano poderia resultar em até 14 meses de envelhecimento adicional. A professora Kristie Ebi, da Universidade de Washington, ressaltou a importância de considerar fatores individuais para entender os efeitos do calor na saúde.

Intervenções de Saúde Pública

Os resultados do estudo em Taiwan podem ter implicações significativas para intervenções de saúde pública. Ebi sugeriu que os governos poderiam implementar medidas para proteger a população, como programas de assistência para aquisição de ar-condicionado. No entanto, ela alertou que essa solução não deve ser vista como ideal, pois o uso de ar-condicionado pode contribuir para o aquecimento global.

Além disso, o calor extremo pode agravar a qualidade do ar e aumentar a probabilidade de desastres naturais, como incêndios florestais e secas. A conscientização sobre os riscos associados ao calor é fundamental, pois muitos ainda subestimam suas consequências para a saúde.

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