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Remédio comum reduz risco de novo infarto, revela estudo brasileiro

Estudo revela que suspender aspirina após infarto diminui sangramentos, mas aumenta risco de novos eventos cardiovasculares graves

Interromper o uso de aspirina nos primeiros meses após infarto reduz sangramentos, mas não oferece proteção suficiente contra infarto, AVC e trombose (Foto: Reprodução)
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  • Um estudo do Hospital Israelita Albert Einstein revelou que interromper o uso de aspirina nos primeiros meses após um infarto pode reduzir sangramentos.
  • A pesquisa analisou três mil e quatrocentos pacientes com síndromes coronarianas agudas e foi apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Madrid.
  • Os pesquisadores avaliaram a segurança de suspender a aspirina após a angioplastia com stent, mantendo apenas um antiplaquetário potente.
  • A retirada da aspirina reduziu a incidência de sangramentos para dois por cento, enquanto no grupo que manteve a terapia dupla, a taxa foi de quatro vírgula nove por cento.
  • No entanto, a interrupção não garantiu proteção contra novos infartos e AVCs, com sete por cento dos pacientes sem aspirina sofrendo novos infartos, em comparação a cinco vírgula cinco por cento no grupo controle.

Um estudo recente do Hospital Israelita Albert Einstein revelou que interromper o uso de aspirina nos primeiros meses após um infarto pode reduzir sangramentos, mas não oferece proteção adequada contra novos infartos e AVCs. A pesquisa foi apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Madrid, e envolveu a análise de 3.400 pacientes com síndromes coronarianas agudas.

Os pesquisadores avaliaram a segurança de suspender a aspirina após a angioplastia com stent, mantendo apenas um antiplaquetário potente, como prasugrel ou ticagrelor. Atualmente, o tratamento padrão combina aspirina com outro antiplaquetário, conhecido como terapia dupla. Embora a retirada da aspirina tenha reduzido a incidência de sangramentos para 2%, em comparação a 4,9% no grupo que manteve a terapia dupla, essa mudança não garantiu proteção contra eventos cardiovasculares graves.

Resultados do Estudo

Os dados mostraram que 7% dos pacientes que não usaram aspirina sofreram novos infartos, enquanto a taxa foi de 5,5% entre aqueles que mantiveram a terapia dupla. Além disso, o número de casos de trombose de stent foi maior no grupo sem aspirina, com 12 casos em comparação a 4 no grupo controle.

Pedro Lemos, diretor do programa de cardiologia do Einstein, destacou que os achados reforçam a necessidade de manter a terapia dupla nas primeiras semanas ou meses após o infarto. A pesquisa, que contou com a colaboração do Ministério da Saúde, foi uma das mais relevantes do congresso e será publicada no New England Journal of Medicine, evidenciando a importância da pesquisa clínica brasileira no cenário global.

Implicações para a Prática Médica

Os resultados do estudo influenciam diretamente as práticas médicas, reafirmando a eficácia da combinação de medicamentos para prevenir complicações cardiovasculares. Luiz Vicente Rizzo, diretor executivo de Pesquisa do Einstein, ressaltou que a pesquisa demonstra como a ciência de qualidade pode impactar positivamente a assistência à saúde, projetando a cardiologia brasileira em um contexto de excelência internacional.

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