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Mosquitos geneticamente modificados interrompem transmissão da malária

Pesquisadores desenvolvem mosquitos geneticamente modificados para combater a malária, aumentando a esperança de controle da doença globalmente

Homem segura recipiente plástico transparente com mosquitos geneticamente modificados, enquanto prateleiras metálicas ao fundo exibem outros recipientes (Foto: Reprodução)
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  • Pesquisadores da University of California, San Diego, e da Johns Hopkins University desenvolveram uma nova técnica para combater a malária.
  • Eles introduziram uma variante genética em mosquitos Anopheles stephensi usando a técnica de gene drive.
  • O gene FREP1 (Fibrinogen-Related Protein 1) foi modificado para dificultar a infecção pelo parasita Plasmodium falciparum.
  • Os testes mostraram que a variante FREP1Q reduziu significativamente as taxas de infecção nos mosquitos.
  • A Organização Mundial da Saúde reportou mais de 260 milhões de casos de malária em 2023, destacando a urgência de novas estratégias de controle.

A malária, doença transmitida por mosquitos do gênero Anopheles, continua a ser um desafio global. Recentemente, pesquisadores da University of California, San Diego, e da Johns Hopkins University desenvolveram uma nova abordagem para combater a transmissão do parasita Plasmodium. Utilizando a técnica de gene drive, eles introduziram uma variante genética em mosquitos Anopheles stephensi, que impede o desenvolvimento do parasita dentro do inseto.

O estudo, publicado na revista Nature, foca no gene FREP1 (Fibrinogen-Related Protein 1), essencial para a passagem do Plasmodium pela parede intestinal do mosquito. A variante FREP1Q, que já existe naturalmente em algumas populações de mosquitos, dificulta a infecção pelo Plasmodium falciparum, a forma mais letal da malária. Os testes mostraram que os mosquitos geneticamente modificados apresentaram taxas de infecção significativamente menores e, quando infectados, carregavam quantidades reduzidas do parasita.

Resultados Promissores

A técnica de gene drive aumenta a probabilidade de herança da característica genética, que pode chegar a 100%. Nos experimentos, a frequência de mosquitos com a variante FREP1Q subiu de 25% para mais de 90% em apenas dez gerações. O professor Rodrigo Malavazi Corder, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, participou do estudo, focando na modelagem matemática da disseminação da variante genética.

No Brasil, o principal vetor da malária é o Anopheles darlingi, predominante na região amazônica. Embora ainda não se saiba se a variante FREP1Q terá o mesmo efeito nessa espécie, já existem discussões para investigar essa possibilidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou mais de 260 milhões de casos de malária em 2023, com quase 600 mil mortes. A necessidade de novas estratégias de controle é urgente, pois os métodos tradicionais têm mostrado resultados estagnados na última década.

Essas novas abordagens genéticas podem oferecer uma alternativa menos agressiva ao meio ambiente, reduzindo a capacidade de transmissão sem eliminar completamente as populações de mosquitos.

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