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Estudo revela que estigma da alopecia areata afeta mais que a doença em si

Estudo revela que mais de 80% dos pacientes com alopecia areata sofrem de ansiedade ou depressão, afetando sua qualidade de vida

Alopecia areata afeta a saúde mental e a qualidade de vida, além da perda capilar (Foto: Reprodução)
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  • A alopecia areata é uma condição autoimune que causa perda de cabelo em áreas específicas do corpo e afeta a saúde mental dos pacientes.
  • Um estudo no Reino Unido revelou que mais de 80% dos pacientes com a doença apresentam sintomas de ansiedade ou depressão.
  • A pesquisa, publicada no British Journal of Dermatology, analisou quase 600 pessoas entre 2021 e 2024.
  • Aproximadamente um terço dos participantes relatou que a alopecia impactou sua rotina, incluindo trabalho e vida social.
  • A dermatologista Bárbara Miguel destaca a importância de incluir psicoterapia e grupos de apoio no tratamento, especialmente para pacientes com maior vulnerabilidade emocional.

A alopecia areata, uma condição autoimune que provoca a perda de cabelo em áreas específicas do corpo, afeta não apenas a aparência, mas também a saúde mental dos pacientes. Um estudo recente realizado no Reino Unido revelou que mais de 80% dos pacientes diagnosticados com a doença apresentam sintomas de ansiedade ou depressão. A pesquisa, publicada no British Journal of Dermatology, analisou quase 600 pessoas entre 2021 e 2024, buscando entender como a percepção da doença impacta o bem-estar psicológico.

Os resultados indicam que cerca de um terço dos participantes relatou que a alopecia afetou sua rotina, incluindo trabalho e vida social. Além disso, 42% afirmaram sentir dores físicas associadas à condição, enquanto mais da metade expressou vergonha em relação à sua aparência. A dermatologista e tricologista Bárbara Miguel, do Einstein Hospital Israelita, destaca que a forma como os pacientes interpretam a doença é mais relevante para o seu bem-estar emocional do que a extensão da perda capilar.

Perfis Psicológicos

A pesquisa identificou dois perfis psicológicos entre os participantes: o grupo “angustiado”, que apresenta maior vulnerabilidade emocional, e o “de enfrentamento”, que demonstra resiliência. O primeiro grupo relatou altos níveis de estresse e isolamento, enquanto o segundo mostrou maior capacidade de adaptação. Miguel ressalta que, para pacientes do perfil “angustiado”, o tratamento deve incluir não apenas intervenções médicas, mas também psicoterapia e grupos de apoio.

Diversas estratégias podem ser adotadas para lidar com o sofrimento emocional. A terapia cognitivo-comportamental é uma delas, ajudando a modificar percepções negativas sobre a doença. Campanhas de conscientização também são essenciais para combater o preconceito e informar a população sobre a alopecia, que não é contagiosa e não define o valor do indivíduo.

Diagnóstico e Tratamento

A alopecia areata, que pode surgir em qualquer fase da vida, afeta cerca de 2% da população mundial. Seu diagnóstico é clínico, realizado por dermatologistas, e pode envolver dermatoscopia ou biópsia do couro cabeludo. Embora não haja cura definitiva, existem opções de tratamento que variam conforme a gravidade da condição e a resposta do paciente.

Nos últimos anos, a abordagem em relação à alopecia tem evoluído. A Sociedade Brasileira de Dermatologia atualizou suas diretrizes, incluindo a dimensão emocional na avaliação da gravidade da doença. Essa mudança reflete a crescente compreensão de que a alopecia vai além dos aspectos físicos, impactando profundamente a vida emocional e social dos pacientes.

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