- Em dezembro de 2024, uma reunião familiar em Torres (RS) resultou em envenenamento por arsênio, com três mortes e seis pessoas intoxicadas após comerem um bolo de Reis.
- A principal suspeita, Deise Moura dos Anjos, nora da anfitriã, foi presa em janeiro de 2025 e cometeu suicídio um mês depois na cela.
- Exames mostraram que a farinha do bolo continha 65 gramas de arsênio por quilograma, uma concentração 2,7 mil vezes superior ao normal.
- O aumento de casos de intoxicação no Brasil entre 2020 e 2024 foi de 62%, com 51,4 mil casos registrados entre janeiro e maio de 2025, principalmente entre mulheres de 20 a 39 anos.
- A Sociedade Brasileira de Toxicologia alertou sobre a fácil acessibilidade ao arsênio, levando a novas regulamentações sobre a venda de substâncias tóxicas.
Na antevéspera do Natal de 2024, uma reunião familiar em Torres (RS) resultou em uma tragédia. Após consumirem um bolo de Reis, seis familiares apresentaram sintomas de intoxicação, levando à morte de três pessoas. A principal suspeita, Deise Moura dos Anjos, nora da anfitriã, foi presa em janeiro de 2025, mas cometeu suicídio um mês depois em sua cela.
Os exames revelaram que a farinha utilizada no bolo continha 65 gramas de arsênio por quilograma, uma concentração 2,7 mil vezes superior ao normal. Investigações mostraram que Deise havia introduzido o veneno em alimentos meses antes, começando com um leite em pó que causou mal-estar em seus sogros. A exumação do corpo do sogro, que morreu logo após, confirmou a presença do veneno.
O aumento de casos de intoxicação no Brasil gerou preocupações. Entre 2020 e 2024, as notificações de intoxicações exógenas aumentaram em 62%, com 51,4 mil casos registrados apenas entre janeiro e maio de 2025. A maioria das vítimas eram mulheres entre 20 e 39 anos, e as causas mais frequentes foram tentativas de suicídio e intoxicações acidentais.
A Sociedade Brasileira de Toxicologia emitiu um alerta sobre os riscos do arsênio, destacando sua fácil acessibilidade, especialmente pela internet. Em resposta, o Conselho Federal de Química intensificou a fiscalização sobre a venda de substâncias tóxicas. Em Campo Grande (MS), uma nova lei proíbe a venda de produtos com arsênio, exceto para fins científicos.
Além disso, o caso de Ana Luíza de Oliveira, de 17 anos, que morreu em junho de 2025 após ingerir um bolo envenenado, evidencia a crescente preocupação com o uso de arsênio como veneno. A facilidade de acesso a substâncias tóxicas e a falta de regulamentação rigorosa no Brasil são desafios à saúde pública.
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