- Um estudo da Universidade de Toronto indica que o uso de maconha pode acelerar a maturação dos óvulos, aumentando o risco de anomalias cromossômicas.
- A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, analisou mais de mil amostras de fluído folicular de mulheres em tratamento de reprodução assistida.
- Seis por cento das amostras testaram positivo para tetrahidrocanabinol (THC), o principal componente psicoativo da cannabis.
- A maioria das amostras com THC (setenta e três por cento) veio de mulheres que relataram não ter usado a substância, sugerindo contaminação inadvertida.
- Os pesquisadores alertam para a necessidade de mais estudos sobre os efeitos da cannabis na fertilidade feminina e recomendam cautela durante tratamentos de fertilidade.
Um novo estudo da Universidade de Toronto revela que o uso de maconha pode impactar a fertilidade feminina, acelerando a maturação dos óvulos e aumentando o risco de anomalias cromossômicas. A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, analisou mais de mil amostras de fluído folicular de mulheres em tratamento de reprodução assistida.
Os pesquisadores descobriram que 6% das amostras testaram positivo para THC, o principal componente psicoativo da cannabis. Essa taxa é inferior à média de consumo de maconha entre mulheres jovens no Canadá, que é de 23%. No entanto, 73% das amostras com THC eram de mulheres que relataram não ter usado a substância, levantando preocupações sobre a contaminação inadvertida.
O estudo, liderado pela cientista Cyntia Duval, sugere que a presença de THC está correlacionada com uma maturação excessivamente rápida dos óvulos, resultando em um número significativamente menor de células com a quantidade correta de cromossomos, um fenômeno conhecido como euploidia. Os cientistas ainda não compreendem completamente o mecanismo pelo qual a cannabis afeta a biologia reprodutiva feminina, mas acreditam que isso pode estar relacionado ao sistema endocanabinoide, que regula várias funções no corpo, incluindo a reprodução.
Os pesquisadores enfatizam que, embora os resultados sejam preocupantes, o estudo tem limitações e não estabelece um limiar seguro para o consumo de cannabis em relação à fertilidade feminina. Eles defendem que suas descobertas devem incentivar mais pesquisas sobre o tema e alertar pacientes sobre os potenciais riscos associados ao uso de maconha durante tratamentos de fertilidade.
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