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Medicamento brasileiro promete recuperar movimentos após lesões na medula

Pesquisadores da UFRJ aguardam aprovação da Anvisa para iniciar ensaios clínicos da polilaminina, prometendo avanços no tratamento de lesões na medula espinhal

Foto: Reprodução
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  • Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram a polilaminina, uma proteína da placenta humana, com potencial para tratar lesões na medula espinhal.
  • A polilaminina pode ajudar na recuperação de pacientes com paraplegia ou tetraplegia, condições que atualmente não têm tratamento eficaz para regeneração do tecido nervoso.
  • Em estudos, seis dos oito pacientes com lesões medulares completas apresentaram recuperação motora após receber injeções da proteína.
  • O laboratório Cristália aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fase 1 dos ensaios clínicos, que avaliará a segurança do tratamento.
  • Os testes em animais mostraram resultados rápidos, com ratos se movendo em 24 horas após a aplicação da polilaminina.

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram a polilaminina, uma proteína da placenta humana que promete revolucionar o tratamento de lesões na medula espinhal. Essa condição, que frequentemente resulta em paraplegia ou tetraplegia, atualmente não possui terapias eficazes para regeneração do tecido nervoso. A polilaminina já demonstrou resultados promissores em estudos com pacientes e animais, e aguarda a fase 1 de ensaios clínicos.

A polilaminina é baseada na laminina, uma proteína essencial desde a fase embrionária, que forma uma malha tridimensional facilitando a comunicação entre neurônios. Quando reintroduzida no organismo, a proteína pode estimular neurônios a criar novos axônios, permitindo a recuperação de sinais interrompidos por traumas. Em lesões recentes, a polilaminina oferece proteção imediata, enquanto em casos crônicos, pode promover a regeneração neuronal.

Desde 2018, oito pacientes com lesões medulares completas participaram de um estudo acadêmico. Cada um recebeu uma injeção de polilaminina na medula em até 72 horas após o acidente. Seis pacientes apresentaram recuperação motora, com destaque para Bruno Drummond de Freitas, que, após tratamento, recuperou quase toda a mobilidade e voltou a andar. Outro caso notável é o de Hawanna Cruz Ribeiro, que, após receber o medicamento, relatou avanços significativos em sua condição.

Avanços e Desafios

Os testes em animais também mostraram resultados rápidos, com ratos se movendo em 24 horas após a aplicação. A polilaminina foi desenvolvida ao longo de 18 anos e é produzida a partir de placentas doadas por mulheres saudáveis. O acompanhamento dos pacientes foi longo, com monitoramento de possíveis efeitos adversos. Até agora, não foram registradas reações graves atribuídas ao medicamento.

Apesar dos resultados promissores, especialistas pedem cautela. Os testes realizados foram em grupos pequenos, sem comparação com grupos placebo, e algumas questões permanecem sem resposta, como a quantidade ideal de doses e a permanência dos ganhos observados. O laboratório Cristália aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fase 1 dos ensaios clínicos, que avaliará a segurança do tratamento em um grupo pequeno de voluntários.

Hospitais como o das Clínicas e a Santa Casa de São Paulo estão prontos para iniciar as aplicações assim que houver aprovação. A fase 1 pode levar cerca de um ano e meio, e todo o processo regulatório pode se estender por até três anos antes que o medicamento esteja disponível, caso seja aprovado. Se a eficácia da polilaminina for confirmada, o impacto pode ser global, uma vez que atualmente não existem terapias capazes de regenerar tecido nervoso de forma eficaz.

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