- Um estudo na Dinamarca revelou que 52% dos adultos obesos sem diabetes abandonaram o tratamento com semaglutida em um ano.
- Os principais motivos para a desistência foram custos elevados e efeitos colaterais.
- A pesquisa analisou mais de 77 mil adultos e mostrou que homens têm 12% mais risco de interromper o tratamento em comparação com mulheres.
- Jovens de 18 a 30 anos têm 50% mais probabilidade de desistir do que adultos de 45 a 60 anos.
- Na Espanha, os pacientes pagam entre 170 e 400 euros por mês, o que dificulta a continuidade do tratamento.
Um estudo recente na Dinamarca revelou que 52% dos adultos obesos sem diabetes abandonaram o tratamento com semaglutida em um ano. A pesquisa, apresentada na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes, destaca fatores como custos elevados e efeitos colaterais como principais motivos para a interrupção do uso do medicamento.
O estudo, que analisou mais de 77.000 adultos, mostrou que a taxa de abandono é especialmente alta entre homens, jovens e pessoas de bairros de baixa renda. Homens têm 12% mais risco de interromper o tratamento em comparação com mulheres, enquanto jovens na faixa de 18 a 30 anos apresentam 50% mais probabilidade de desistir do que adultos de 45 a 60 anos.
Os custos dos medicamentos são uma barreira significativa. Na Espanha, por exemplo, os agonistas do GLP-1, como a semaglutida, não são subsidiados para tratamento da obesidade, levando os pacientes a desembolsar entre 170 e 400 euros por mês. Muitos conseguem manter o tratamento por alguns meses, mas acabam desistindo ao perceber que não podem arcar com os custos a longo prazo.
Efeitos Colaterais e Impacto Social
Além dos custos, os efeitos colaterais também contribuem para a desistência. O medicamento provoca uma sensação constante de saciedade, dificultando a participação em atividades sociais que envolvem comida e bebida. Náuseas e desconfortos intestinais são comuns, especialmente no início do tratamento, o que pode levar a uma experiência negativa.
A popularidade da semaglutida tem gerado um aumento no seu uso, mas também no seu abuso. Médicos e clínicas privadas têm prescrito o medicamento sem o devido acompanhamento, o que pode resultar em complicações. O uso inadequado pode levar a um efeito rebote, onde o paciente recupera o peso perdido, mas com uma composição corporal pior.
Pesquisadores da Universidade de Copenhague observaram que alguns pacientes que abandonaram o tratamento conseguiram manter um peso saudável ao adotar hábitos de exercício. Esses achados sugerem que a combinação de atividade física e mudanças no estilo de vida pode ser uma alternativa viável para aqueles que não conseguem continuar com a medicação.
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, e seu tratamento deve ser encarado da mesma forma. A necessidade de soluções sustentáveis e acessíveis é cada vez mais urgente, especialmente para os grupos mais vulneráveis.
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