- Pesquisadores do Instituto Europeu de Bioinformática e do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ) desenvolveram um novo modelo de inteligência artificial chamado Delphi-2M.
- O modelo consegue prever mais de mil doenças utilizando dados de saúde, históricos médicos e fatores de estilo de vida.
- A pesquisa foi publicada na revista Nature e analisa padrões de saúde ao longo da vida dos pacientes.
- O algoritmo foi treinado com dados de quatrocentas mil pessoas no Reino Unido e validado com registros de quase dois milhões de pacientes na Dinamarca.
- O Delphi-2M gera dados sintéticos para proteger a privacidade dos pacientes, permitindo o treinamento de novos modelos de IA sem acessar informações clínicas sensíveis.
Um novo modelo de inteligência artificial, chamado Delphi-2M, foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Europeu de Bioinformática e do DKFZ (Centro Alemão de Pesquisa do Câncer). O modelo é capaz de prever mais de 1.000 doenças a partir de dados de saúde, utilizando informações de históricos médicos e fatores de estilo de vida. A pesquisa foi publicada na revista *Nature* e promete revolucionar a medicina personalizada e a prevenção de doenças.
O Delphi-2M analisa padrões de saúde ao longo da vida, considerando a evolução individual de cada paciente. Moritz Gerstung, diretor da Divisão de Inteligência Artificial em Oncologia do DKFZ, destacou que o modelo pode prever doenças de forma interconectada, revelando a complexidade das condições de saúde. O algoritmo foi treinado com dados de 400.000 pessoas no Reino Unido e validado com registros de quase 2 milhões de pacientes na Dinamarca.
As previsões do modelo não oferecem certezas, mas probabilidades. Por exemplo, ao calcular o risco de infarto em um período de dez anos, o modelo acerta cerca de 70% dos casos. Para um horizonte de duas décadas, a precisão cai para 14%, ainda assim superior ao que se obtém apenas com idade e sexo. O modelo também identificou doenças que aumentam o risco de outras, como transtornos mentais e certos tipos de câncer.
Implicações Éticas e de Privacidade
A aplicação de inteligência artificial na saúde levanta preocupações éticas, especialmente em relação à privacidade dos dados. Guillermo Lazcoz, membro do Comitê de Ética de Pesquisa do Instituto de Saúde Carlos III, alertou sobre o risco de discriminação por parte de seguradoras. A possibilidade de que dados de saúde sejam utilizados para decisões comerciais exige novas medidas de proteção.
Na Europa, estão sendo desenvolvidos espaços seguros para o tratamento de dados, onde o acesso é restrito e controlado. Mikel Recuero, da Universidade do País Vasco, ressaltou que o uso de biobancos envolve rigorosos controles éticos, garantindo que os dados sejam utilizados apenas para fins científicos.
O Delphi-2M também se destaca pela capacidade de gerar dados sintéticos, preservando a privacidade dos pacientes. Isso permite que novos modelos de IA sejam treinados sem a necessidade de acessar informações clínicas sensíveis. Essa inovação pode ajudar a prever o impacto de mudanças na saúde pública, como o aumento da obesidade.
Com o envelhecimento da população, a capacidade de prever doenças se torna crucial para o planejamento de políticas de saúde e investimentos em prevenção. O Delphi-2M representa um avanço significativo na compreensão e gestão da saúde, embora ainda necessite de aprimoramentos para aplicação prática em pacientes.
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