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Erros de higiene mais comuns nas cozinhas brasileiras e como corrigi-los

Nova pesquisa aponta hábitos de higiene alimentar em domicílios incorretos, aumentando risco de contaminação e gerando 110 mil adoecimentos e 121 mortes entre 2014 e 2023

Fotografia de uma mulher lavando legumes na cozinha.
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  • Estudo da USP com mais de cinco mil domicílios mostra prática de higiene irregular no Brasil; entre 2014 e 2023, o Ministério da Saúde registrou mais de 110 mil adoecimentos por água ou alimentos contaminados e 121 mortes, com 34% dos surtos começando dentro de casa.
  • Erros comuns: 37,7% higienizam vegetais corretamente, 46,3% lavam carne crua na pia, 11,2% deixam alimentos expostos à temperatura ambiente por longos períodos e 39,5% descongelam fora da geladeira.
  • Desinfecção inadequada de frutas e vegetais é frequente; o método recomendado é lavar e deixar de molho em solução de água clorada (hipoclorito de sódio) por 10 minutos, seguido de enxágue.
  • Em geladeiras, 91% mantêm a temperatura entre 0°C e 10°C; 81% não usam sacola térmica para transportar alimentos perecíveis.
  • O estudo aponta desigualdades: hábitos ruins são mais comuns entre famílias com renda mais baixa; a pesquisa ocorreu entre setembro de 2020 e abril de 2021, com questionário online em 5 mil domicílios.

Além de cozinhar, hábitos diários de higiene em casa ainda apresentam falhas significativas. Uma pesquisa com mais de 5 mil domicílios mostra que práticas inseguras podem favorecer contaminação de alimentos, com impactos potenciais na saúde pública. Os resultados variam conforme renda, educação e acesso à informação.

O estudo, produzido por pesquisadores da USP e publicado em janeiro, analisou hábitos de manuseio e armazenamento entre setembro de 2020 e abril de 2021, período da pandemia. Foram avaliados comportamentos, temperaturas de geladeiras e formas de higienização, com foco em reduzir riscos alimentares.

Entre os achados, 37,7% dos participantes higienizavam corretamente vegetais, e 46,3% ainda lavavam carne crua na pia. Além disso, 11,2% deixaram alimentos expostos ao ambiente por longos períodos, e 39,5% descongelavam fora da geladeira. Dados indicam desigualdades no acesso a informações sobre segurança alimentar.

Frutas e vegetais

A higiene de frutas e verduras está entre as áreas com maiores falhas. Muitos usavam apenas água corrente ou misturas com detergente, em especial em faixas de renda mais altas. O uso de soluções corretas com hipoclorito de sódio é recomendado pelo Ministério da Saúde, com 2 colheres de sopa por litro de água.

Apenas 37,7% dos participantes aplicaram o método adequado aos vegetais, e 28,5% o aplicaram às frutas, com menores adesões entre faixas mais baixas de renda. Especialistas apontam que o vinagre não substitui desinfetante e não elimina a maioria dos microrganismos.

Lavar carne crua

Prática comum entre 46,3% dos participantes, lavar carne crua na pia pode provocar contaminação cruzada. O cozimento adequado, com pelo menos 74°C, é suficiente para tornar o alimento seguro. Ainda assim, 24% consumiam carne mal cozida e 17,4% ovos crus ou mal cozidos.

Armazenamento e temperatura

Ao final da preparação, manter alimentos fora da geladeira por mais de 2 horas aumenta o risco de proliferação de microrganismos. A mesma regra vale para o descongelamento: o processo deve ocorrer na geladeira ou no micro-ondas, nunca à temperatura ambiente.

A pesquisa também indicou que 81% dos entrevistados não utilizam sacolas térmicas ao levar alimentos perecíveis do supermercado para casa, contribuindo para variações de temperatura. A maioria das geladeiras domésticas estava dentro da faixa segura de 0°C a 10°C, em 91% dos lares medidos.

Higienização das mãos e itens de cozinha

Os pesquisados mostraram boa prática de higiene das mãos, com 82,7% afirmando lavar antes, durante e após manusear comida. Ainda assim, permanece a recomendação de trocar panos de prato com regularidade, especialmente após contato com carnes, e secá-los de modo que fiquem ventilados.

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