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Estudo aponta que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres

Estudo mostra que noventa por cento dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, destacando sobrecarga e a necessidade de educação e apoio público

O trabalho invisível das mulheres é tema do Caminhos da Reportagem - O trabalho do cuidado é exercido majoritariamente por mulheres. Foto: Frame/TV Brasil
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  • Estudo da PUCPR aponta que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, com média de idade de 48 anos.
  • Mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais que homens em tarefas domésticas e de cuidado, totalizando mais de mil horas por ano não remuneradas.
  • A pesquisa compilou 18 entrevistas com mulheres de áreas urbanas e rurais de Paraná e Santa Catarina, responsáveis por cuidar de familiares idosos, doentes ou com deficiência.
  • A educação é apontada como caminho para mudança: é necessário educar meninos e meninas para dividir o cuidado, reduzindo a sobrecarga feminina.
  • Políticas públicas de apoio ao cuidado ainda são tímidas no Brasil; há propostas e exemplos estrangeiros de compensação financeira e reconhecimento social do trabalho de cuidado.

A pesquisa mostra que 90% dos cuidadores informais no Brasil são mulheres, com filhas, cônjuges e netas entre as principais cuidadoras. O estudo, realizado por pesquisadoras da PUCPR, analisa o peso do cuidado não remunerado na sociedade brasileira.

Analisando dados de 18 entrevistas com mulheres de áreas urbanas e rurais do Paraná e de Santa Catarina, o trabalho aponta idade média de 48 anos entre as cuidadoras. A maioria cuida de familiares idosos, doentes ou com deficiência.

O levantamento revela que, no Brasil, o cuidado ocorre principalmente dentro de casa, sem remuneração nem reconhecimento social. A pesquisadora Valquiria Elita Renk destacaa o impacto sobre educação e carreira das mulheres.

Impactos e relações familiares

O estudo indica que grande parte das cuidadoras atua como filha (68%), esposa (21%), neta ou irmã (5%). O perfil etário é variado: 41 a 60 anos (43%), acima de 60 (37%) e 21 a 30 anos (22%).

A formação das cuidadoras é predominantemente básica: 58% com ensino fundamental; 30% com ensino superior; 11% com ensino médio. A maioria atua em atividades agropecuárias ou no mercado formal, com parcelas significativas já fora do mercado para cuidar.

As entrevistadas relatam cansaço extremo, solidão e falta de previdência. O cuidado é descrito como função contínua, 24 horas por dia, com pouca cooperação familiar.

Educação e políticas públicas

Valquiria aponta que o cuidado tem forte cunho cultural no país e requer mudança educacional. A pesquisa defende que meninos e meninas devem aprender divisão igualitária das tarefas domésticas desde a infância.

A autora cita políticas públicas de outros países, como Finlândia e Dinamarca, que remuneram cuidadores, além de regimes de proteção social em França, Alemanha e Reino Unido. No Brasil, a Política Nacional do Cuidado foi criada no fim de 2024, mas ainda está em implementação.

Segundo o estudo, o reconhecimento social e previdenciário do trabalho de cuidado é essencial para reduzir a sobrecarga das mulheres. Urge criar mecanismos de compensação financeira e de aposentadoria específica para cuidadoras.

Desdobramentos sociais

A pesquisa ressalta que, no cuidado de filhos ou idosos, não basta atender necessidades básicas: há vínculo afetivo que envolve responsabilidade, saúde e bem-estar. O estudo cita ainda que, na América do Sul, o Uruguai já permite aposentadoria em função do número de filhos.

Os autores destacam que a sobrecarga recai principalmente sobre a chamada Geração Sanduíche, que concilia trabalho, casa e cuidado. Em casos de separação, surgem discussões sobre compensação de tempo dedicado aos filhos.

O trabalho da PUCPR foi assinado por Valquiria Elita Renk, Ana Silvia Juliatto Bordini e Sabrina P. Buziquia, e aponta caminhos para reduzir o peso do cuidado informal sobre as mulheres e a sociedade.

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