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Máscara menstrual: o que a ciência revela sobre a nova moda de beleza facial

Especialistas alertam para riscos de infecção e falta de comprovação científica da máscara menstrual, prática viral que mistura pseudociência e ritual cultural

A máscara menstrual situa-se na interseção entre a positividade corporal, o ritual cultural e a pseudociência
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  • A máscara menstrual é a aplicação de sangue menstrual na pele, popular nas redes sociais como prática de cuidado estético, porém sem consenso científico sobre eficácia.
  • A ciência ainda não comprovou uso tópico do sangue menstrual para tratar pele; há pesquisas sobre componentes do fluido menstrual com potencial médico, mas não como tratamento direto.
  • Estudos sugerem que plasma derivado do fluido menstrual pode melhorar a cicatrização em laboratório, mas isso não implica segurança ou eficácia em uso cosmético no rosto.
  • Pesquisas investigam células-tronco derivadas do sangue menstrual (MenSCs) e outras fontes para regeneração da pele, colágeno e redução de danos, porém aplicações clínicas ainda não estão estabelecidas para a prática popular.
  • Especialistas alertam para riscos de infecção ao usar sangue menstrual na pele, devido à presença de bactérias, fungos e possibilidade de transmissão de infecções, e ressaltam que o PRP é preparado em ambiente estéril e com finalidade médica distinta.

A máscara menstrual, também chamada de menstrual masking, ganhou espaço nas redes sociais como uma prática de beleza que envolve aplicar sangue menstrual na pele, geralmente do rosto. A ideia é apresentada por adeptas como curativa ou empoderadora, mas a ciência ainda não valida o método.

Popularizada por hashtags virais, a prática costuma ver o sangue aplicado por alguns minutos e depois enxugado. Não há consenso sobre a quantidade de sangue nem o tempo de aplicação. Pesquisadores ressaltam que não há evidência clínica de benefício tópico.

Defensores apontam que o fluido contém células-tronco, citocinas e proteínas que, em teoria, poderiam contribuir para rejuvenescimento. No entanto, estudos atuais não comprovam uso tópico do sangue menstrual para tratamento de pele.

A literatura científica recente aponta que parte do interesse científico está em componentes como plasma derivado do fluido menstrual, com resultados promissores em reparação de feridas em laboratório. Ainda não há aplicação clínica estabelecida em pele.

Pesquisas sobre células-tronco do sangue menstrual, ou MenSCs, mostram potencial para regeneração cutânea, com impactos na produção de colágeno e na reparação de danos. Contudo, esses avanços permanecem em etapas pré-clínicas.

O que diferencia o PRP

Especialistas destacam que o plasma rico em plaquetas (PRP) é preparado em ambiente estéril e envolve coleta, centrifugação e injeção na pele. Em geral, o PRP é utilizado sob supervisão médica e envolve custos significativos, diferente da prática caseira da máscara menstrual.

Embora alguns associem a máscara menstrual ao conceito de “facial vampiro”, a comparação não procede. O fluido menstrual reúne componentes variados movidos por vias biológicas distintas, com riscos de contaminação e infecção por bactérias ou ISTs.

Riscos e orientações

Profissionais lembram que o sangue menstrual pode transportar microrganismos ao passar pelo canal vaginal, aumentando o risco de infecções se aplicado na pele. Em contrapartida, o PRP é preparado de forma controlada e tem finalidade estética sob orientação clínica.

Beleza baseada no corpo e práticas não convencionais, como a terapia da urina, também são mencionadas em debates sobre bem-estar. Essas abordagens carecem de comprovação científica robusta para uso dermatológico.

A comunidade médica recomenda cautela: a riqueza biológica do sangue menstrual não substitui protocolos dermatológicos com evidência. A prática permanece sem respaldo definitivo da ciência para uso cosmético.

Este texto reinterpreta pesquisas atuais sem endossar o uso doméstico dessa prática. A orientação médica é indispensável para decisões de tratamento de pele. Conteúdos adicionais estão disponíveis em publicações científicas e revisões especializadas.

Este conteúdo foi publicado originalmente em The Conversation.

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