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Entenda o fat talk: como evitar conversas prejudiciais sobre o corpo em casa

Fat talk em casa afeta saúde mental de crianças; reduzir comentários sobre peso e adotar mindful eating pode mudar a dinâmica e a autoestima

Adolescente olhando no espelho — Foto: Magnific
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  • Paula Pires, endocrinologista, destaca o impacto das conversas negativas sobre o corpo, conhecidas como “fat talk”, em crianças e adolescentes.
  • Fat talk são falas sobre peso e aparência que reforçam a ideia de que o valor de alguém depende da estética, mesmo entre pessoas dentro do peso saudável.
  • Esse tipo de conversa pode levar crianças a duvidarem do próprio corpo, associando saúde e bem-estar a números na balança, além de estar ligado a distúrbios alimentares, ansiedade e depressão.
  • Recomenda-se evitar dietas como foco e adotar práticas como mindful eating (comer com atenção plena) e comer intuitivo (confiar no corpo para sinal de fome e saciedade).
  • A mudança começa em casa: falar de saúde e bem-estar, ouvir as preocupações dos filhos e manter rotinas de refeições sem distrações, dando o exemplo de respeito ao próprio corpo.

Ontem, uma conversa em casa chamou a atenção de uma endocrinologista. Paula Pires, colunista da revista CRESCER, descreve um episódio em que a filha trouxe uma fala sobre peso que se espalhou entre as colegas. O relato serve para ilustrar o que ela chama de fat talk.

Fat talk são falas sobre aparência, peso e dietas que, embora pareçam comuns, moldam a percepção de valor do corpo. Comentários que comparam peso ou sugerem dietas ajudam a construir uma ideia de que saúde depende do número na balança.

Segundo a médica, esse tipo de diálogo pode surgir em diversas situações: em casa, na escola e nas redes sociais. Observa-se que mulheres, inclusive com peso considerado saudável, costumam reproduzir esse comportamento.

O estudo aponta impactos no público infantil e adolescente: mensagens negativas sobre o corpo podem levar a ansiedade, baixa autoestima e comportamentos alimentares inadequados. A comunicação em família é apontada como fator-chave para mudanças.

A recomendação médica envolve mudanças no dia a dia: evitar linguagem que valorize apenas a estética, promover hábitos alimentares com atenção plena e respeitar sinais de fome e saciedade. O exemplo dos adultos também é decisivo.

Para iniciar a mudança, a sugestão é pausar ao ouvir comentários sobre peso e substituir por falas mais equilibradas. Em casa, refeições sem distrações ajudam a promover relação saudável com a comida.

A profissional destaca que o foco não é dietas, e sim saúde. Perguntas sobre funcionamento do corpo, energia e bem‑estar ajudam a orientar adolescentes a construir autoestima e uma relação tranquila com a alimentação.

Em casa, a comunicação aberta é essencial. Ao abordar dúvidas ou preocupações, vale ouvir com empatia, entender a origem da ansiedade e ampliar o olhar para bem‑estar físico e mental.

A mensagem final ressalta a importância de práticas simples: incentivar alimentação guiada pelo corpo, evitar pressão para comer tudo no prato e servir de exemplo com respeito ao próprio corpo e à alimentação.

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