- A antropóloga Mirian Goldenberg analisa, em nova coluna, a hipocrisia performática das redes sociais sobre envelhecimento e a mercantilização da velhice feminina.
- Ela aponta que mulheres criticam padrões de beleza e procedimentos, mas continuam alimentando um mercado de saúde e juventude.
- O texto destaca a troca entre elogio à autoestima e a prática de vigiar o corpo de outras mulheres, sob o discurso de sororidade.
- Argumenta que, quando a liberdade de envelhecer vira padrão, pode virar obrigação e gerar sofrimento, em vez de libertação.
- Conclui que é preciso abandonar a velhofobia e buscar a velhautonomia, libertando-se de modelos rígidos para envelhecer do jeito que cada mulher escolher.
A nova coluna da antropóloga Mirian Goldenberg analisa a hipocrisia performática nas redes sociais e a mercantilização da velhice feminina. O texto questiona discursos que afirmam libertar mulheres, enquanto fiscalizam o envelhecimento de outras.
Goldenberg observa que muitas mulheres criticam padrões de beleza, envelhecimento ou procedimentos, mas investem pesado em cremes, suplementos e tratamentos para manter a juventude. O objetivo é compreender quem lucra com esse ciclo.
A autora aponta que, nas redes, há elogio à autoestima e à sororidade, mas também competição acirrada entre mulheres por likes, seguidores e padrões de envelhecimento. O resultado é uma dualidade entre liberdade anunciada e cobrança sobre corpos.
A crítica se estende à ideia de “velhice na moda”, que domina passarelas, revistas e conteúdos digitais. Segundo o texto, esse fenômeno pode prender desejos em modelos de saúde, beleza e juventude, gerando sofrimento e insatisfação corporal.
A reflexão central é que a liberdade de envelhecer, quando vira obrigação, restringe a própria escolha. O texto cita Simone de Beauvoir para lembrar que libertação exige esforço e transformação, não conformidade.
A peça propõe mudar o olhar de velhofobia para velhautonomia, destacando que cada mulher que se liberta inspira outras a superarem receios e preconceitos. O objetivo é reduzir estigma e ampliar opções de envelhecimento.
No desfecho, o texto afirma o desejo de várias mulheres: liberdade para envelhecer do jeito que quiser, sem pressões ou julgamentos, e sem renunciar a escolhas pessoais.
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