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Como o cérebro reage ao trocar a tela pelo livro físico

Leitura em papel aumenta atenção, memória e empatia, reduz o estresse em até sessenta e oito por cento em apenas seis minutos, frente à leitura digital

Os benefícios dos livros físicos para o cérebro
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  • Em meio ao excesso de estímulos digitais, os livros físicos seguem relevantes, atuando como exercício cognitivo com benefícios para atenção, compreensão e saúde mental a longo prazo.
  • Pesquisas indicam que leitura em papel ajuda a lembrar a ordem dos acontecimentos, aumenta a conexão emocional com a história e facilita reconstruir a trama, em comparação com textos no Kindle.
  • O papel favorece o deep reading (leitura profunda), enquanto a leitura na tela tende a ser mais fragmentada e rápida, o que pode prejudicar a compreensão e a memória.
  • A cientista cognitiva Maryanne Wolf aponta que a leitura digital está mudando a forma de ler, tornando mais difícil a leitura empática e reflexiva.
  • Uma pesquisa da Universidade de Sussex mostra que ler por apenas seis minutos diários em papel pode reduzir o estresse em até 68%, com efeitos variados conforme o tipo de leitura.

Em meio ao excesso de estímulos digitais, livros físicos mantêm relevância. Mais que nostalgia, leituras em papel aparecem como um exercício cognitivo com benefícios reais para o cérebro, a concentração e a saúde mental a longo prazo.

Diversos estudos de neurociência e psicologia indicam que a leitura em papel ativa mecanismos de atenção, compreensão e memória. Uma pesquisa na Universidade de Stavanger, na Noruega, comparou leitores de contos no Kindle com leitores em versão impressa.

Quem leu o texto em papel lembrou melhor a ordem dos acontecimentos, sentiu maior conexão com a história e reconstruiu a trama com mais fluidez. O papel facilita uma lembrança mais profunda no sistema cognitivo.

Ao ler em papel, o cérebro entra em um estado de atenção concentrada, chamado deep reading. O esforço é maior, mas a compreensão tende a ser mais efetiva do que na tela.

Na tela, a leitura costuma ser mais fragmentada. Pulamos trechos e passamos os olhos rapidamente, o que pode reduzir a memória de longo prazo. O papel convida à presença.

Segundo a cientista cognitiva Maryanne Wolf, a leitura digital altera a forma como o cérebro lê, dificultando a leitura empática e reflexiva, essencial para entender textos e pessoas.

E-books são práticos; audiolivros ajudam em deslocamentos. Cada formato tem lugar, mas, para qualidade de atenção, compreensão profunda e processamento emocional, o papel apresenta vantagem significativa.

Pode parecer detalhe, mas o cérebro registra onde a informação estava na página. A posição de uma frase, perto do topo ou em uma anotação, cria um mapa mental que facilita memorização e revisão.

Ao ler um livro impresso, olhos e dedos constroem esse mapa, facilitando análise e retorno a passagens. O texto digital, ao contrário, tende a deslizar pela tela e reduzir essa sensação de estabilidade.

Ler em papel não é apenas decifrar palavras: é um ritual sem notificações, sem brilho constante e sem distrações. Psicólogos indicam a leitura em papel como aliada contra ansiedade e estresse moderado.

Uma pesquisa da Universidade de Sussex aponta que ler apenas seis minutos diários pode reduzir o estresse em até 68%, superando benefícios de música, caminhada ou chá.

O tipo de leitura importa: romances com camadas, ensaios desafiadores e ficções que prendem a atenção treinam diferentes habilidades mentais, como empatia, foco e memória.

Para desenvolver empatia e inteligência emocional, a ficção literária é uma boa opção. Autoras como Elena Ferrante, Jhumpa Lahiri e Zadie Smith são referências nesse aspecto.

Para melhorar foco e memória, thrillers com tramas complexas, de autores como Tana French ou Gillian Flynn, são apontados como úteis. Ensaios, filosofia e memórias também ampliam o desafio intelectual.

Texto originalmente publicado na Marie Claire Croácia

Fonte: Marie Claire Croácia

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