- A sexóloga Luana Lumertz diz que ter vida sexual ativa não depende apenas de transar; pode incluir várias formas de prazer.
- A ideia comum de sexo a dois vem de uma visão cultural que associa penetração a sexo; a prática envolve também preliminares, toque e outras experiências.
- Masturbação não é substituição do sexo a dois; é autocuidado, autoconhecimento e relaxamento, funcionando como complemento da relação sexual.
- Para ter vida sexual ativa sem estar em parceria, é útil desenvolver a “mente erótica” e permitir que o desejo apareça com momentos de descanso e estímulos variados.
- Contos, áudios eróticos e filmes adultos ajudam a ampliar o repertório de prazer, desde que haja autoconhecimento e sem julgamento.
É possível manter uma vida sexual ativa mesmo sem transar? A sexóloga Luana Lumertz afirma que sim, e que a ideia tradicional de sexualidade está ligada à relação a dois. Segundo ela, a sociedade associa penetração a sexo, dentro de um modelo heteronormativo.
Lumertz aponta que a cultura falocêntrica coloca o pênis no centro do sexo. Ela ressalta que a experiência sexual é mais ampla, envolvendo preliminares, toque, beijo e outras formas de prazer. Também revela como a educação corporal influencia esse olhar.
A profissional observa que muitas mulheres crescem com a ideia de que tocar as próprias partes é inadequado. Isso pode conduzir o foco ao prazer do outro, em vez do corpo próprio, prejudicando a percepção do desejo.
O que pode ser considerado uma vida sexual ativa?
Viver a sexualidade não se resume a transar com frequência. Para Lumertz, a vida sexual ativa depende da qualidade de vida e pode ocorrer de várias maneiras. Estar excitada, se tocar, se masturbar, desejar outras pessoas e explorar fantasias são sinais de atividade sexual.
Mesmo sem parceria, a participação sexual continua. O uso de brinquedos, como vibradores, ajuda a conhecer o corpo e a proporcionar prazer, fortalecendo o repertório para o orgasmo e para a parceria futura.
A masturbação como autocuidado
A masturbação não deve ser vista como substituição do sexo a dois. Ela é prática de autocuidado, autoconhecimento, alívio sexual e regulação emocional, funcionando de forma complementar ao sexo.
Ter uma rotina de masturbação pode promover conexão com o corpo e ampliar o vocabulário de sensações. O objetivo é descrever o que dá prazer e facilitar o diálogo com futuras parceiras ou parceiros.
Quando a ausência de relação é problemática
Se a falta de atividade sexual gera angústia, ansiedade, baixa autoestima ou medo da intimidade, é necessário observar. Pode haver desejo de experimentar, mas inseguranças ou cansaço impedem a aproximação.
Lumertz reforça que, se a pessoa não tem vontade de transar, mas não sente sofrimento, está tudo certo. O foco é entender o que funciona para cada indivíduo, sem impor padrões.
Caminhos para manter o desejo ativo
Além da masturbação, a ideia de uma mente erótica ajuda a acessar a excitação. Desse modo, é recomendado reservar momentos de descanso para o desejo aparecer, pois a sobrecarga mental atrapalha a resposta sexual.
A especialista sugere incorporar estímulos variados, como contos, áudios eróticos e filmes adultos, para manter o repertório mental ativo. A prática contínua facilita a conexão com o próprio desejo, sem julgamentos.
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