- Aposentada em 2022, Sarah Geeson-Brown cuida do marido, Michael, que sofreu três derrames e ficou em cadeira de rodas.
- Mesmo com apoio de cuidadores, o dia a dia foi exaustivo, com milhões de tarefas médicas e atividades de cuidado.
- O casal aprendeu a enfrentar a dificuldade junto, alternando momentos de choro e risos, mantendo o vínculo de casal.
- Trabalhadores de diferentes nacionalidades passaram pela casa, abrindo a geografia de outros lugares e culturas para eles.
- Michael morreu em janeiro; em março, Geeson-Brown encontrou sentido cuidando de jardins e buscando aprender com a natureza e a vida após a perda.
Trabalhava no setor público e, ao se aposentar em 2022, Sarah Geeson-Brown planejava viajar com o marido, Michael. Quase seis meses depois, ele sofreu o primeiro derrame, seguido por outro e, após uma queda que rompeu o quadril, ficou em cadeira de rodas. Ela passou a ser cuidadora em tempo integral, em Oxfordshire, Inglaterra. O cotidiano ganhou uma nova dimensão: entre visitas médicas, uso de hoists e a gestão de 19 comprimidos diários, a casa tornou-se o centro da nova rotina.
A vida a dois passou a exigir adaptação constante. Mesmo com cuidadores profissionais, as tarefas diárias eram exaustivas e interrompiam as noites. Ela descreve o peso emocional: o cuidado vai além do físico, envolve o enfrentamento de perdas, da dor partilhada e da necessidade de estar lado a lado, como casal, não apenas como paciente e cuidadora.
Ao longo do tempo, Geeson-Brown percebeu que, embora o mundo externo tivesse contraído, o interior ganhou novas paisagens. Trabalhadores de diferentes nacionalidades enriqueceram o cotidiano, abrindo janelas para culturas como Paquistão, Nigéria, África do Sul e Namíbia. O convívio com eles trouxe um sentido de viajar, em parte, por via indireta.
O passado que molda o presente
O casal se conheceu em Hong Kong, em 1988, quando Michael era advogado e Sarah deixou o trabalho de publicidade para viajar. Casaram-se e tiveram dois filhos. Hoje, Geeson-Brown ressalta que o amor entre eles não é ficção romântica, mas uma relação vivida e preservada na prática diária de cuidado.
O falecimento de Michael ocorreu em janeiro, segundo ela. Em março seguinte, a autora “entrou em crise”, mas decidiu buscar significado ajudando pessoas a cuidar de seus jardins. A esse trabalho atribui uma forma de reconciliação com a perda, permitindo aplicar a paciência aprendida durante o cuidado.
A experiência de ser cuidadora foi a mais difícil da vida de Geeson-Brown, porém originou uma dualidade entre sofrimento e gratidão. Ela relata que a escolha de encarar a situação de frente ajudou a manter a conexão com o companheiro e a enxergar o valor mesmo nos momentos de perda.
Hoje, aos 70 anos, Geeson-Brown foca em uma nova função: orientar pessoas que cuidam de jardins, lembrando que pequenas coisas — gentileza humana, gotas de chuva, o canto de um rabo-de-réu — ganham importância contínua. O que ficou, para ela, é a lembrança de uma vida partilhada e de um amor que persiste.
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