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Fim da sobrecarga feminina depende da educação das crianças, diz professora

Especialistas dizem que o fim da sobrecarga feminina depende da educação das crianças e da redistribuição de tarefas em casa

Pia lotada de louças sujas. A parede é de azulejo quadrado branco com rejunte preto
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  • A professora de psicologia Monalisa Nascimento dos Santos Barros afirma que o fim da sobrecarga feminina passa pela educação das crianças, ensinando meninos a cuidar e meninas a não carregar tudo sozinhas.
  • A solução imediata para aliviar a carga é a redistribuição das tarefas domésticas entre casais, com todos participando de planejamento e execução.
  • A sobrecarga mental, ao exigir decisões e organização, é citada como especialmente cansativa e muitas vezes compensada de forma inadequada pela mulher.
  • A ideia é desromantizar a maternidade, reconhecendo que não existe mãe perfeita e que as expectativas precisam ser ajustadas para reduzir sofrimento e culpa.
  • Especialistas, incluindo Rosana Schwartz, ressaltam que homens e mulheres devem debater o problema coletivamente para que a divisão de tarefas se torne uma prática normal, não um tema de debate isolado.

A sobrecarga de trabalho doméstico, ainda atribuída majoritariamente às mulheres, pode ser reduzida com mudanças na forma de educar crianças. A ideia é ensinar aos meninos que cuidar é responsabilidade de todos e que as meninas não devem carregar sozinhas esse peso. A afirmação é de Monalisa Nascimento dos Santos Barros, professora de psicologia e medicina da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

Ela aponta que o caminho para diminuir o problema passa pela educação familiar. Segundo a pesquisadora, mães e pais devem atuar juntos para que, desde cedo, as crianças aprendam a compartilhar tarefas e a enxergar o cuidado como rotina de todos os membros da casa.

Como saída prática, Barros sugere redistribuir tarefas entre casais, especialmente em relações heterossexuais. Mesmo diante de dificuldades, é fundamental que a parceira não responda sozinha por tudo, desde o planejamento até a execução das atividades.

A especialista também aborda a sobrecarga mental, que envolve pensar, planejar e organizar. Ela afirma que esse tipo de carga, embora invisível, pode ser tão cansativo quanto tarefas físicas, impactando a saúde mental da mulher e a qualidade de vida da família.

Outro ponto destacado é que algumas tarefas costumam ficar vinculadas ao gênero masculino, como ir ao mercado, mas dependem de uma lista previamente construída pela parceira. Esse modelo reduz a autonomia e aumenta o estresse da mulher que cuida da casa.

Para mães, Barros recomenda desromantizar a maternidade. Ela cita a ideia de uma mãe suficientemente boa, que não corresponde ao ideal absoluto, para evitar sofrimento relacionado à culpa associada à perfeição.

A pesquisadora ressalta que é preciso buscar apoio médico quando houver necessidade, com possibilidades de tratamento que vão além de medicamentos, incluindo fisioterapia e orientação nutricional, conforme o caso.

Especialistas destacam a importância de falar abertamente sobre os diferentes tipos de sobrecarga — física, mental e emocional — para que soluções sociais sejam discutidas e adotadas. A participação de homens e mulheres nesse debate é vista como essencial para mudanças estruturais.

Rosana Schwartz, historiadora e socióloga, reforça a ideia de que famílias devem discutir o tema juntos. Segundo ela, é necessário trabalhar a Masculinidade de forma gradual para que a divisão de tarefas se torne natural, sem depender de rótulos de gênero.

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