- Jornalista Jules de Faria escreveu o livro infantil “Ela passou rapidinho para deixar um beijinho” após perder a filha Lila, gestação de 15 semanas, para abordar o luto com crianças e adultos.
- A história nasceu de uma conversa com o filho Jonas, de cinco anos na época, que repetia o nome da irmã ainda na barriga; Lila recebeu o nome em homenagem às avós e à personagem Lila, de Elena Ferrante.
- Ao longo do luto, Jules encontrou apoio no Instituto do Luto Parental, o que a fez romper o silêncio em torno da perda gestacional e buscar maneiras de lidar com a dor sem vergonha ou culpa.
- Em 2021 nasceu o filho mais novo, Léo, o que ajudou a reorganizar a vida da jornalista, que também deixou cargos no Think Olga e no Think Eva e mudou-se para a praia.
- O livro, com ilustrações de Bruna Ximenes, usa uma linguagem acessível para falar sobre o que permanece após a perda e a ideia de continuidade na vida, valorizando a memória de Lila e o bem-estar da família.
Jules de Faria, jornalista e escritora, transformou a dor de uma perda gestacional em uma obra infantil. Após perder a filha Lila aos 15 semanas, ela criou o livro Ela passou rapidinho para deixar um beijinho, que aborda luto com linguagem acessível a crianças e adultos. O objetivo é falar sobre o que permanece após a vida que se encerra.
A gestação de Lila ganhou origem em uma noite de sonho que antecedeu o teste positivo. O casal, com o filho Jonas, planejava ampliar a família durante a pandemia. O coração da bebê foi confirmado em um segundo ultrassom, e o nome Lila foi escolhido em homenagem às avós.
Na ocasião do diagnóstico final, houve parto. A médica orientou o nascimento da menina, já que não era possível realizar curetagem após três meses. A autora descreve o momento como um choque, seguido de apoio da equipe médica e do marido, que ficou ao lado dela o tempo inteiro. O registro emocional incluiu a lembrança da filha por meio de uma foto.
Do luto à escrita
O nascimento do livro surgiu de uma conversa com o filho de cinco anos, que questionava sobre o que acontecia com Lila. A obra propõe responder a dúvidas típicas da infância, sem retratar a dor de forma violenta ou revitimizante. A ilustradora Bruna Ximenes colaborou de modo delicado para acompanhar o texto.
Aos poucos, Jules encarou novas etapas familiares com o filho Léo, nascido após nove meses de gestação. A chegada trouxe reorganização pessoal e profissional: saiu de funções em organizações ligadas a mulheres, mudou de São Paulo para o litoral e passou a dedicar mais tempo ao filho.
Impacto e mensagem
A jornalista relata que encontrou apoio no Instituto do Luto Parental, o que ajudou a reduzir o isolamento vivido após a perda. O livro busca ampliar o diálogo sobre luto gestacional, reconhecendo diferentes crenças sobre o que acontece após a morte, sem impor explicações.
Hoje, a família mantém viva a memória de Lila, respeitando cada parte do seu espaço na vida dos irmãos Jonas e Léo. Jules relata que a experiência a transformou, promovendo um estilo de vida mais conectado com a natureza e com a prática de novas atividades. A ideia central é que, depois do fim, existe uma continuidade que pode valer a pena.
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