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Crianças ficam mais enjoadas para comer durante voos, aponta estudo

Seleção alimentar infantil ganha força no Brasil: um quarto das crianças é seletivo; especialistas sugerem exposições repetidas e participação da família

BOCA FECHADA - A garotada no comando: o salutar movimento que deu voz aos pequenos também os fez mais seletivos à mesa
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  • Crianças cada vez mais enjoadas para comer têm raízes históricas, com a ideia de cardápio específico para crianças surgindo no fim do século dezenove.
  • No século XX, mudanças de hábitos e a ideia de não forçar a alimentação contribuíram para maior autonomia na escolha da comida e, muitas vezes, para queda na qualidade nutricional.
  • A indústria alimentícia investiu em itens ultraprocessados para agradar o paladar infantil, o que dificulta a aceitação de preparações mais complexas.
  • Estudos citados pela historiadora Helen Zoe Veit indicam que cerca de um quarto das crianças no Brasil são enjoadas para comer; especialistas defendem a experimentação de tudo como prática nutricional moderna.
  • Para enfrentar o fenômeno, recomenda-se persistir com novos alimentos até quinze exposições, envolver a família e evitar pressões, além de estimular a participação da criança no preparo das refeições.

A onda de seletividade alimentar entre crianças ganhou novas temperaturas em décadas recentes, revelando um desafio para famílias e profissionais de saúde. Estudo recente aponta que aproximadamente 25% das crianças no Brasil apresentam enjoo para comer certos alimentos, sobretudo os mais nutritivos. A pergunta que norteia o debate é como cultivar hábitos alimentares equilibrados sem transformar a refeição em conflito constante.

Pesquisas associam mudanças culturais e sociais a esse fenômeno. Historiadores destacam o papel de políticas de alimentação no século XIX, quando médicos defenderam cardápios específicos para crianças diante de uma mortalidade infantil alta. A ideia de que crianças devem comer apenas determinados itens foi contestada pela nutrição moderna, que incentiva a experimentação desde cedo.

No século XX, transformações no ambiente infantil contribuíram para o comportamento atual. A migração para as cidades reduziu atividades ao ar livre e deixou as refeições mais sedentárias. O pediatra Benjamin Spock popularizou a ideia de não forçar a criança a comer, o que, segundo especialistas, reforçou a autonomia alimentar sem assegurar variedade nutricional.

A indústria alimentícia intensificou a oferta de itens ultraprocessados voltados ao público infantil, com sabores de fácil aceitação. Pesquisadores alertam que essa estratégia pode desvalorizar o paladar e reduzir a disposição de experimentar novos alimentos, especialmente receitas com texturas diferentes.

Em ambientes domésticos, a prática de oferecer menos opções ou ceder às preferências pode alimentar um círculo vicioso. A presença de telas durante as refeições costuma afastar a atenção da alimentação e atrapalha a percepção de saciedade. Pesquisas indicam que o envolvimento da família na preparação aumenta as chances de aceitação de novos pratos.

Para enfrentar a seletividade, especialistas recomendam exposição gradual a novos alimentos, sem pressões. Tomar até quinze contatos com o mesmo alimento, variando a apresentação, ajuda a criança a reconhecer textura, cor e cheiro. A participação da criança no preparo também tem efeito positivo sobre a aceitação.

Apoio de profissionais é citado como crucial. Nutricionistas defendem manter oferta variada, com refeições familiares, e evitar crer que a solução está em menus rígidos. O objetivo é construir hábitos nutritivos de forma gradual, sem transformar o momento da refeição em fonte de estresse.

A pesquisadora Helen Zoe Veit aponta que a seletividade é resultado de um conjunto de fatores históricos, culturais e familiares. Embora haja avanços, o caminho para reverter a tendência passa pela combinação de paciência, prática culinária criativa e envolvimento das crianças no processo de escolha e preparo dos alimentos.

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