- Mar García Puig, escritora catalã e ex-deputada espanhola, nasceu gêmeos e foi eleita deputada no mesmo dia, em vinte de dezembro de dois mil e quinze.
- O livro A História dos Vertebrados, lançado pela Bazar do Tempo, reúne a experiência da maternidade com a política para explorar a insanidade feminina.
- A obra aborda depressão pós-parto, transtorno obsessivo, estresse pós-traumático e questiona como o patriarcado molda as expectativas sobre mães.
- Puig critica o esquecimento da maternidade pela política e comenta avanços e retrocessos nos direitos femininos, incluindo leis de aborto.
- O relato também discute compaixão literária, uma comunidade de leitoras e a busca pela imortalidade literária para os filhos, citando o mito de Aquiles.
A catalana Mar García Puig lança A História dos Vertebrados, livro que conecta maternidade e política para discutir a insanidade feminina. A obra é lançada pela editora Bazar do Tempo e tematiza o peso social da maternidade na vida de mulheres que ocupam espaços de poder. O romance reconstitui vivências de dor, estudo histórico e reflexão sobre o que a sociedade tolera ou não.
Puig combina memória pessoal e pesquisa sobre loucura feminina, explorando como a maternidade pode alterar a percepção de mundo. O livro utiliza referências históricas, mitológicas e literárias para questionar a forma como mulheres são julgadas ao se tornarem mães. A narrativa avança pela solidão e pelo acolhimento ausente.
O relato histórico-crítico parte de cenas da autora que sorri para o cotidiano, mas descreve violências simbólicas enfrentadas por mães. A obra dialoga com debates sobre saúde mental, direito das mulheres e os impactos da política na vida familiar. O tom é informativo: busca compreender, não persuadir.
O que diz a autora sobre o tema
A autora aponta que a política costuma esquecer a maternidade, usando-a para controle. Ela afirma que avanços existem, mas há retrocesso em direitos das mulheres, especialmente no que diz respeito ao aborto. A pesquisa histórica reforça esse voto de desconfiança em relação aos discursos oficiais.
Puig afirma que a obra reúne histórias de mulheres que sofreram com a solidão e o repúdio social. O livro também revela como a literatura pode abrir espaço para empatia, imagens de compaixão e questionamentos sobre o equilíbrio entre liberdade feminina e pressões sociais.
A narradora descreve a experiência de escrever como uma forma de acompanhar outras mulheres, muitas delas em situações parecidas. O processo é apresentado como companheirismo literário, mais do que um manual de soluções, para entender a relação entre maternidade, loucura e poder.
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