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Beliscar entre as refeições nem sempre é fome, diz nutricionista

Beliscar ao longo do dia pode sinalizar questões emocionais e neurobiológicas, exigindo avaliação de hábitos, sono e estresse, não apenas disciplina

Foto colorida de homem pegando escondido o pedaço de alguma comida na ceia de natal - Metrópoles
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  • Beliscar ao longo do dia pode indicar fome, mas também pode ser uma tentativa de aliviar desconfortos emocionais, segundo a nutricionista Flavia Lucena.
  • Esse hábito está associado a ansiedade, estresse, tédio, frustração, solidão ou sobrecarga mental, e envolve o sistema de recompensa do cérebro.
  • Alimentos palatáveis ativam dopamina, o que pode transformar o ato de comer em resposta rápida ao desconforto e criar uma associação repetida.
  • Do ponto de vista comportamental, ficar diante de comida enquanto trabalha, responde mensagens ou assiste TV pode reforçar o hábito, especialmente em condições de estresse e sono ruim.
  • Em vez de julgar, é preciso entender os fatores que sustentam o comportamento e buscar autorregulação emocional e uma investigação cuidadosa das causas.

A nutricionista e psicóloga Flavia Lucena explica que beliscar entre as refeições nem sempre aponta apenas para fome. Em entrevista ao Metrópoles, ela afirma que o hábito pode revelar aspectos da saúde emocional quando a comida funciona como forma de aliviar desconfortos internos.

Ela ressalta que, em muitos casos, há uma tentativa de lidar com ansiedade, estresse, tédio, frustração, solidão ou sobrecarga mental. O consumo frequente de petiscos pode, então, ter função de autorregulação emocional, além de responder a gatilhos neurais de recompensa.

Entenda o mecanismo

Do ponto de vista neurobiológico, alimentos mais palatáveis ativam circuitos de dopamina, neurotransmissor ligado à motivação e à recompensa. Esse vínculo pode tornar a alimentação uma resposta rápida ao desconforto, especialmente quando associada a prazer sensorial.

É essencial diferenciar o que move o ato: o gostar envolve prazer, enquanto o querer é o impulso de buscar o alimento mesmo sem fome. Quando o lanche vira alívio frequente, o cérebro aprende a acionar essa resposta de forma automática.

Comportamento e contexto

No aspecto comportamental, o padrão pode se fortalecer pelo condicionamento. Comer diante de tarefas, durante mensagens ou diante da TV cria associações que levam a comer sem perceber.

Estresse crônico e privação de sono também elevam a busca por recompensas imediatas, aumentam a reatividade emocional e reduzem o controle inibitório, favorecendo episódios de beliscar ao longo do dia.

O que fazer na prática

Segundo Lucena, beliscar não deve ser visto apenas como falta de disciplina, mas como uma possível tentativa de autorregulação emocional. A profissional recomenda investigar fatores que sustentam o hábito, em vez de julgar.

Em vez de concluir, a especialista orienta compreender as causas subjacentes e buscar estratégias de manejo emocional que substituam ou reduzam a recorrência do beliscar ao longo do dia.

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