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E se fazer mais nem sempre for a solução

Pesquisas apontam viés aditivo: adicionar mais recursos nem sempre resolve e pode agravar a saúde mental; remover itens pode ser mais eficaz

Illustration: Elia Barbieri/The Guardian
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  • O texto aponta que fazer mais nem sempre resolve, especialmente diante de sobrecarga mental e pressões das redes sociais.
  • A tendência humana é adicionar recursos para resolver problemas, em vez de reduzir, um viés chamado viés aditivo.
  • Estudos de 2025 indicam que as pessoas costumam preferir soluções aditivas (como meditação e exercício) a soluções subtractivas (como parar hábitos), considerando-as mais viáveis e eficazes.
  • O impacto desse viés pode piorar problemas quando há alta carga cognitiva, sugerindo que é preciso equilibrar fazer mais com fazer menos.
  • Especialistas defendem que bons conselhos devem combinar ações com remoção de elementos prejudiciais, aplicando esse equilíbrio também a ações políticas e à imaginação radical para um futuro mais justo.

O tema é o impulso constante de fazer mais frente aos desafios diários. Pesquisas indicam que o sentimento de estar sobrecarregado é alimentado por uma cultura de consumo e pela busca de soluções rápidas. A ideia de que basta adicionar ações costuma predominar.

Estudos mostram que, quando surge um problema, a tendência humana é acrescentar recursos ou regras, em vez de reduzir itens. Meditar mais, fazer exercícios ou comprar itens de bem-estar são comuns, mesmo quando reduzir algo seria mais eficaz.

Essa inclinação é chamada de viés aditivo. Em sociedades de alto consumo, especialmente entre usuários de redes sociais, essa mentalidade pode justamente frear a resolução de problemas. Em momentos de grande carga cognitiva, o efeito se intensifica.

Additivismo em foco

Pesquisas de 2025, em Psicologia da Comunicação, revelam que pessoas costumam recomendar soluções aditivas com mais frequência do que subtrativas, considerando-as mais viáveis e eficazes. Mesmo opções mais simples às vezes são negligenciadas.

Autoria do estudo, o Dr. Tom Barry, da Universidade de Bath, comenta que remover elementos desnecessários pode não soar natural. Ele defende equilíbrio entre fazer mais e reduzir o que atrapalha o bem-estar.

A pesquisa também aponta que a etiqueta de aconselhar sobre saúde mental tende a favorecer soluções adicionais para si e para terceiros, com exceção de amigos próximos, a quem se recorre a estratégias subtrativas com menor frequência.

Impactos práticos

Os autores alertam que esse viés pode estimular uma cultura de aconselhar sempre a fazer mais, agravando a sensação de falta de tempo. Em busca de alívio, indivíduos podem acumular tarefas em vez de priorizar o essencial.

Entre profissionais consultados, há consenso de que é possível distinguir entre remover o supérfluo e manter a necessidade de ações produtivas. A ideia é evitar que a saúde mental vire uma lista interminável de tarefas.

Reflexões do uso pessoal

Na prática cotidiana, a conversa sobre ações subsidiárias pode abranger escolhas políticas e ativismo. Analisar cuidadosamente opções e tempo disponível pode levar a melhores decisões, sem descurar prioridades.

Uma terapeuta, citada pela pesquisadora, sugere blocos de tempo sem consumo de mídia. Espaços assim ajudam o cérebro a processar aprendizados e a ampliar a criatividade sem sobrecarga.

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