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HIV: dois novos casos de cura são anunciados

Pesquisas foram anunciadas em conferência no Rio de Janeiro e mostram pacientes sem sinais do vírus após transplante raro

Micrografia eletrônica de transmissão mostrando partículas do vírus HIV-1 (em vermelho/amarelo) brotando e se replicando a partir de um segmento de uma célula H9 cronicamente infectada (em azul/turquesa) | Reprodução/National Institutes of Health
Micrografia eletrônica de transmissão mostrando partículas do vírus HIV-1 (em vermelho/amarelo) brotando e se replicando a partir de um segmento de uma célula H9 cronicamente infectada (em azul/turquesa) | Reprodução/National Institutes of Health

Dois novos casos considerados um avanço na busca pela cura do HIV foram apresentados nesta segunda-feira (27) durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro. Os estudos descrevem pacientes que permanecem sem sinais detectáveis do vírus após receberem um tipo específico de transplante de medula óssea utilizado no tratamento de cânceres do sangue.

Os dois casos envolvem pacientes que receberam células-tronco de doadores com uma rara mutação genética chamada CCR5Δ32/Δ32, que impede a produção de uma proteína usada pela maioria das variantes do HIV para invadir as células do sistema imunológico.

Dois novos casos considerados um avanço na busca pela cura do HIV foram apresentados nesta segunda-feira (27) durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro. Os estudos descrevem pacientes que permanecem sem sinais detectáveis do vírus após receberem um tipo específico de transplante de medula óssea utilizado no tratamento de cânceres do sangue.

Os dois casos envolvem pacientes que receberam células-tronco de doadores com uma rara mutação genética chamada CCR5Δ32/Δ32, que impede a produção de uma proteína usada pela maioria das variantes do HIV para invadir as células do sistema imunológico.

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Embora os resultados sejam considerados animadores, os pesquisadores ressaltam que eles não significam que já exista uma cura disponível para o HIV. O procedimento é complexo, apresenta riscos elevados e só é indicado para pessoas que também precisam tratar doenças graves, como leucemias ou linfomas.

O paciente de Kansas City

Um dos estudos descreve o chamado “paciente de Kansas City”, um homem diagnosticado com HIV em 2018 que posteriormente desenvolveu leucemia mieloide aguda.

Após passar por um transplante de medula óssea em outubro de 2020 com um doador portador da mutação CCR5Δ32/Δ32, o paciente interrompeu voluntariamente a terapia antirretroviral em fevereiro de 2025, sob rigoroso acompanhamento médico.

Segundo os pesquisadores, 14 meses depois da interrupção dos medicamentos o vírus continua indetectável no sangue. Exames repetidos também não encontraram DNA íntegro do HIV nem vírus capazes de se replicar, dois dos principais indicadores usados para identificar reservatórios da infecção.

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Apesar disso, anticorpos e algumas respostas do sistema imunológico contra o HIV ainda permanecem detectáveis, motivo pelo qual o paciente continua sendo monitorado para confirmar se houve eliminação completa do vírus.

O paciente da Alemanha

O segundo estudo acompanha um paciente tratado na Alemanha, que também recebeu um transplante de medula de um doador com a mesma mutação genética.

Antes do procedimento, porém, ele apresentava uma condição considerada mais desafiadora: estava infectado por variantes do HIV capazes de utilizar diferentes portas de entrada nas células, o chamado tropismo misto. Além disso, havia tido coinfecção pelo vírus da hepatite B.

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Mesmo nessas condições, os pesquisadores não encontraram vírus com capacidade de replicação após o transplante. O paciente interrompeu o tratamento antirretroviral 51 meses depois da cirurgia e, passados 12 meses, o HIV segue indetectável.

Durante esse período, porém, houve reativação da hepatite B, exigindo o reinício de tratamento específico para essa infecção. Os autores afirmam que isso demonstra que interromper os antirretrovirais exige acompanhamento rigoroso, mesmo quando o HIV permanece controlado.

O que é a mutação CCR5Δ32?

O HIV normalmente entra nas células de defesa utilizando uma proteína chamada CCR5, localizada na superfície dessas células.

Algumas pessoas, principalmente de origem europeia, nascem com uma mutação rara conhecida como CCR5Δ32. Quem herda essa alteração dos dois pais praticamente não produz essa proteína, tornando muito difícil que a maioria das variantes do HIV consiga infectar suas células.

🧬Quando uma pessoa com HIV recebe um transplante de medula de um doador com essa mutação, o novo sistema imunológico passa a ser formado por células resistentes ao vírus.🧬

Por que isso não é uma cura para todos?

Apesar dos resultados, especialistas que fizeram parte dos estudos destacaram nos relatórios que esse tipo de transplante não é um tratamento para o HIV.

O transplante de células-tronco hematopoéticas é indicado apenas para pacientes com doenças graves do sangue, como leucemias, e envolve riscos importantes, incluindo rejeição, infecções e complicações potencialmente fatais.

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Além disso, encontrar um doador totalmente compatível que também possua a mutação é extremamente difícil, já que essa alteração genética é rara na população mundial.

Por isso, os casos apresentados ajudam principalmente a entender quais mecanismos podem levar à eliminação do vírus e servem como base para o desenvolvimento de terapias futuras, como edição genética ou tratamentos capazes de reproduzir o mesmo efeito sem a necessidade de um transplante.

Até hoje, contando com os dois novos casos, apenas 13 pessoas no mundo alcançaram remissão prolongada ou evidências de cura do HIV após esse tipo de procedimento.

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