- A Universidade de São Paulo (USP) lidera novas pesquisas sobre demência, com foco na doença de Alzheimer, através de um biobanco com mais de cinco mil cérebros.
- A médica geriatra Claudia Suemoto coordena o biobanco, que recebeu financiamento internacional de R$ 1,2 milhão para expandir suas investigações.
- A pesquisa revela a prevalência de demência vascular e depósitos de proteínas em cérebros de pessoas jovens, além de destacar a baixa escolaridade como um fator de risco importante.
- A demência vascular é mais comum em populações de baixa e média renda, sendo associada a condições como pressão alta, diabetes e obesidade.
- O biobanco busca entender causas genéticas da demência em populações diversas, visando desenvolver tratamentos mais eficazes.
A Universidade de São Paulo (USP), por meio do seu biobanco, está à frente de novas descobertas sobre a demência no Brasil, especialmente a doença de Alzheimer. Com um acervo de mais de 5 mil cérebros, a pesquisa liderada pela médica geriatra Claudia Suemoto revela a prevalência de demência vascular e depósitos de proteínas em cérebros jovens.
Desde 2022, Claudia coordena o biobanco, que recebeu um financiamento internacional de U$ 1,2 milhão para expandir suas pesquisas. O foco atual inclui a investigação de causas genéticas da demência e o estudo de cérebros de pessoas com mais de 90 anos, buscando entender os fatores que desencadeiam os sintomas e os mecanismos que preservam a cognição.
Entre as descobertas, Claudia destaca que a baixa escolaridade é um dos principais fatores de risco no Brasil. A pesquisa indica que ter apenas quatro anos de escolaridade já confere alguma proteção contra a demência. Além disso, a análise de cérebros com cognição normal revelou sinais precoces de depósitos de proteínas relacionados à doença de Alzheimer em indivíduos jovens, sugerindo a necessidade de prevenção precoce.
Avanços e Desafios
A pesquisa também aponta que a demência no Brasil tem múltiplas causas. Enquanto a doença de Alzheimer representa 50% dos casos, a demência vascular é mais prevalente em populações de baixa e média renda. Essa condição é prevenível, pois está associada a fatores como pressão alta, diabetes e obesidade.
Claudia enfatiza que a complexidade das causas da demência exige abordagens terapêuticas multifacetadas. O biobanco está em busca de entender melhor as causas genéticas específicas em populações diversas, já que muitos estudos anteriores não se aplicam bem a grupos mais miscigenados.
A pesquisa sobre a demência no Brasil avança rapidamente, com novas metodologias de diagnóstico e tratamento. Claudia expressa otimismo, afirmando que, ao entender melhor o acúmulo de proteínas no cérebro, será possível desenvolver respostas mais eficazes para a condição.
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