- Durante a vacinação contra a COVID-19, a origem das vacinas se tornou um fator importante na aceitação dos imunizantes em vários países.
- Pesquisas mostraram que as pessoas passaram a se preocupar com o país de fabricação das vacinas, algo inédito antes da pandemia.
- No Brasil, houve preferência por vacinas da Pfizer e AstraZeneca, enquanto a vacina chinesa foi a mais aplicada.
- A análise de cinquenta e dois estudos revelou que o efeito do país de origem influenciou a aceitação das vacinas em quarenta e oito países.
- Especialistas afirmam que entender essa preferência é crucial para campanhas de vacinação futuras e para a formulação de políticas públicas em saúde.
Durante a vacinação contra a COVID-19, a origem das vacinas tornou-se um fator crucial na aceitação dos imunizantes em diversos países. Pesquisas revelaram que, pela primeira vez, as pessoas passaram a se preocupar com o país de fabricação das vacinas, algo que não era comum antes da pandemia. No Brasil, por exemplo, muitos cidadãos buscavam especificamente vacinas de marcas como Pfizer e AstraZeneca, enquanto a vacina chinesa era a mais aplicada.
O fenômeno não se limitou ao Brasil. No México, o imunizante russo foi amplamente rejeitado, enquanto na Índia e no Irã houve uma clara preferência por vacinas locais. Nos Estados Unidos, a aceitação de vacinas nacionais superou a de opções de países com padrões de qualidade semelhantes, como o Reino Unido e a Alemanha. João Lucas Hana Frade, doutor em administração pela USP, destacou que a pandemia trouxe à tona a preocupação com a origem dos imunizantes, um conceito já estudado no marketing, mas inédito no contexto vacinal.
Efeito do País de Origem
A análise de 52 estudos sobre o tema, realizada por Frade, mostrou que o efeito do país de origem influenciou a aceitação das vacinas em 48 países. Esse fenômeno foi observado em nações que não desenvolveram vacinas, como Brasil e Japão, onde a preferência por vacinas ocidentais foi evidente. A pesquisa identificou que a origem dos imunizantes impactou a percepção de qualidade, especialmente em relação a vacinas de países como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha.
O estudo também revelou que a hesitação vacinal foi exacerbada por fatores como o ativismo antivacina e a forma como as vacinas foram divulgadas. Janaina de Moura Engracia Giraldi, professora da USP, ressaltou que o efeito do país de origem se tornou um aspecto importante nas campanhas de vacinação, sugerindo que futuras estratégias de comunicação em saúde devem considerar essa variável.
Implicações para o Futuro
Os pesquisadores defendem que entender o efeito do país de origem é essencial para a formulação de políticas públicas eficazes em saúde. Compreender essas preferências pode ajudar a moldar campanhas de vacinação em futuras pandemias, permitindo que as empresas ajustem suas estratégias de marketing de acordo com a percepção pública sobre a origem de seus produtos.
Entre na conversa da comunidade