- Cientistas da Universidade de Stanford decodificaram frases completas de fala interna em tempo real, utilizando um dispositivo implantado no cérebro.
- O sistema reconhece 125.000 palavras com uma precisão de 74%, permitindo que quatro pessoas com paralisia severa imaginem frases sem esforço físico.
- Microeletrodos foram implantados no córtex motor de três indivíduos com esclerose lateral amiotrófica e uma mulher com tetraplegia.
- Para proteger a privacidade mental, a leitura cerebral é ativada apenas quando os participantes imaginam uma senha complexa.
- A pesquisa destaca a necessidade de legislações que protejam os direitos neurológicos e os dados neurais, em um contexto de crescente preocupação com a privacidade mental.
Cientistas da Universidade de Stanford decodificaram, pela primeira vez, frases completas de fala interna em tempo real, utilizando um dispositivo implantado no cérebro. O sistema reconhece 125.000 palavras com uma precisão de 74%, permitindo que quatro pessoas com paralisia severa imaginem frases sem esforço físico para falar.
Os pesquisadores implantaram microeletrodos na região do córtex motor de três indivíduos com esclerose lateral amiotrófica e uma mulher com tetraplegia, que enfrentava dificuldades de comunicação após um AVC. O estudo, publicado na revista Cell, destaca que essa tecnologia é um avanço significativo em relação a experimentos anteriores, que exigiam tentativas de fala.
Proteção da Privacidade Mental
Para garantir a privacidade mental dos usuários, a equipe projetou um sistema que ativa a leitura cerebral apenas quando os participantes imaginam uma senha complexa, como “chittychittybangbang”. O neurocientista Benyamin Abramovich enfatiza que essa abordagem inovadora é eficaz para evitar vazamentos de pensamentos internos.
A pesquisa ocorre em um contexto onde a proteção da privacidade mental é uma preocupação crescente. O neurocientista Rafael Yuste alerta sobre os riscos de tecnologias que conectam diretamente o cérebro à internet, defendendo a necessidade urgente de legislações que protejam os direitos neurológicos e os dados neurais. Iniciativas já foram implementadas em países como Chile e Brasil.
Avanços em Neurotecnologia
Embora a ideia de dispositivos não invasivos para leitura de pensamentos ainda esteja distante, os avanços em neurotecnologia, como os realizados em Stanford, abrem novas possibilidades para a comunicação de pessoas com deficiências severas. A pesquisa representa um passo significativo na compreensão e decodificação da fala interna, com implicações éticas que precisam ser cuidadosamente consideradas.
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