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Polvos escolhem braço preferido para cada atividade que realizam

Estudo revela complexidade motora dos polvos, com 4.000 movimentos analisados e potencial para inovações em robótica sensorial

Polvo 'Octopus americanus' explorando o fundo marinho na costa do sul da Flórida (Foto: Reprodução)
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  • Um estudo publicado na revista Scientific Reports analisou mais de quatro mil movimentos de 25 polvos de três espécies diferentes.
  • A pesquisa foi realizada em seis ecossistemas, incluindo praias e recifes.
  • Os polvos mostraram maior uso de ações táteis em comparação com ações visuais, resultando na catalogação de 15 comportamentos e 12 tipos de movimentos.
  • Cada braço do polvo pode realizar quatro tipos de deformações: alongar, contrair, esticar ou torcer, com uma clara divisão de tarefas entre os braços frontais e traseiros.
  • O sistema nervoso dos polvos é descentralizado, com a maioria dos 500 milhões de neurônios distribuídos nos braços e ventosas, permitindo movimentos independentes.

Um estudo recente publicado na revista *Scientific Reports* revelou a complexidade das habilidades motoras dos polvos, analisando mais de 4.000 movimentos de 25 indivíduos de três espécies diferentes. A pesquisa, conduzida por biólogos marinhos dos Estados Unidos, foi realizada em seis ecossistemas distintos, desde praias até recifes.

Os polvos demonstraram uma predominância de ações táteis em relação às visuais, resultando na criação de um etograma que catalogou 15 comportamentos e 12 tipos de movimentos. Cada um dos oito braços pode realizar quatro tipos básicos de deformações: alongar, contrair, esticar ou torcer. Essa flexibilidade é acompanhada por uma clara divisão de tarefas, onde os membros frontais são utilizados principalmente para explorar o ambiente.

Estrutura Muscular e Sistema Nervoso

Os pesquisadores descobriram que cada braço possui uma configuração muscular única, com quatro conjuntos de músculos que permitem movimentos independentes. O sistema nervoso dos polvos é altamente descentralizado, com a maioria dos 500 milhões de neurônios distribuídos nos braços e ventosas, em vez de concentrados no cérebro. Isso contrasta com os humanos, que possuem cerca de 100 bilhões de neurônios.

Os braços frontais são usados 64% do tempo para tarefas exploratórias, enquanto os traseiros são empregados em 36% das ações relacionadas à locomoção. Essa diferenciação não indica lateralização, pois os braços esquerdo e direito realizam ações em proporções quase iguais.

Aplicações Futuras

O estudo, parcialmente financiado pelo Escritório de Pesquisa Naval dos EUA, busca aplicar esses conhecimentos no desenvolvimento de braços robóticos altamente flexíveis e sensoriais. A pesquisa visa criar dispositivos que possam operar em ambientes complexos, como em situações de resgate após desastres. Roger Hanlon, um dos autores do estudo, enfatiza a importância de entender como esses animais se movem para inspirar inovações tecnológicas.

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