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Por que viajantes pagam para se desconectar do mundo digital

Deadzoning ganha força entre viajantes, oferecendo relaxamento, reconexão com pessoas e com a natureza, longe de telas

On an Antarctic expedition cruise, travelers can be fully present.
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  • Viagens de “deadzoning” ganham destaque: turistas trocam telas por contato com a natureza e experiências reais.
  • Um caso citado ocorreu na Amazônia, onde um grupo ficou sem Wi‑Fi ou sinal por cinco dias e passou a curtir a companhia uns dos outros e as atividades ao ar livre.
  • Pesquisa da operadora de turismo G Adventures aponta que quarenta e um por cento dos viajantes busca afastar-se do estresse do dia a dia, enquanto sessenta e oito por cento pretende relaxar em viagens sem internet (dados de 2025).
  • Tendência mostra destino sem serviço de celular como forma de desconectar, algo praticado inclusive em resorts que promovem programas de “Do Not Disturb” para reduzir o uso de telas.
  • Entre os destinos recomendados para testar o detox tecnológico estão Amazônia (Equador), norte da Tailândia, Antártida, Patagônia e África Austral.

Johan Konst, viajante holandês, passou pela primeira vez alguns dias totalmente desconectado do mundo, em meio à Amazônia. A experiência ocorreu durante uma viagem em abril de 2023, com amigos, em uma pousada sem Wi-Fi nem sinal de celular. O local ficava a cerca de três horas de Manaus.

Durante cinco dias, a rotina combinou passeios pelo Rio Amazonas durante o dia e encontros com outros viajantes à noite. Para Konst, o silêncio imposto pela falta de conexão permitiu observar detalhes da natureza e criar vínculos com pessoas próximas. O período foi descrito como libertador.

Os relatos sinalizam uma tendência chamada deadzoning, em que destinos sem serviço de internet atraem quem busca menos estímulo digital. Dados da operadora de turismo G Adventures apontam que 58% dos viajantes citaram relaxar como objetivo e 41% desejam desconectar da pressão do trabalho.

No beat da conectividade, a prática ganha espaço entre jovens e famílias. Pesquisas citadas pela empresa indicam que muitos membros da geração mais jovem relatam maior bem-estar em viagens quando as telas ficam longe. Em expedições remotas, como Antártida, a ausência de internet é vista como facilitadora de imersão.

Matt Burnaby, líder de expedições da empresa, afirma que passageiros ficam surpreendidos com a sensação de liberdade ao se desconectar. A ideia central é forçar a presença no aqui e agora, com foco na experiência real, e não no que acontece nas redes sociais.

Alguns destinos já exploram versões de desconexão sem precisar sair do continente. Em Arizona, o CIVANA Wellness Resort lançou o programa Do Not Disturb, proporcionando armazenamento seguro de dispositivos, refeições sem tela e atividades voltadas ao bem-estar.

Destinos e formatos de Deadzoning

  • Ecador: quatro noites na Amazônia com hospedagem comunitária, trilhas e visitas a centros de resgate de animais.
  • Norte da Tailândia: caminhadas a partir de Chiang Mai, com visitas a vilarejos remotos e cavernas em jangada de bambu.
  • Antártida: cruzeiro de 11 dias com excursões em Zodiacs para observação de fauna marinha.
  • Patagônia: trilhas em Torres del Paine e Los Glaciares, com paisagens de geleiras.
  • África do Sul e Namíbia: safari e acampamento em desertos, com atividades na vida selvagem.

Para quem busca desconectar, as opções vão de preservação de sinais a experiências aventureiras em ambientes naturais. Pesquisas de operadoras destacam que o objetivo principal é descansar, recarregar energias e retomar o contato com o mundo real.

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