A marca de joias Zena está promovendo um modelo de empreendedorismo liderado por mulheres para combater a pobreza extrema em Kamuli, no leste de Uganda. Em parceria com a Zena Launch Pad, mulheres da região recebem apoio para abrir negócios próprios, com foco em independência financeira e sustentabilidade.
O programa funciona sem empréstimos e sem doações, oferecendo treinamento, salário e economias para iniciar novos empreendimentos. Mulheres trabalham na criação de joias recicladas por um ano, com parte do rendimento garantindo sustento imediato e a maior parte destinada a custos de abertura de negócios.
Salima, gerente de uma lavanderia em Kamuli, investiu a renda para empregar mais mulheres e expandir o serviço. Cathay, mãe de seis filhos, passou a criar galinhas com fonte de renda estável após a participação no programa. As iniciativas mostram transformação econômica local, com novas oportunidades para famílias inteiras.
Modelo e impacto social
O Zena Launch Pad, criado por Caragh Bennet e Loren Thomas, busca autonomia e liderança feminina após a conclusão do programa. A cada ciclo, cerca de 25 mulheres trabalham na confecção de peças de joalheria reciclada, principalmente brincos, com 40% do salário levado para casa e 60% reservado para novos negócios.
Durante o período de formação, as participantes recebem aulas diárias e mentoria sobre alfabetização digital, gestão financeira e liderança. A prática de manter registros contábeis ajuda a reduzir erros fiscais e melhorar o controle de fluxo de caixa.
A produção atual é realizada no terreno da Zena, com materiais como chifre de bois de Orúnculo, um subproduto da atividade agropecuária local, e os itens são enviados ao exterior para venda nos mercados britânico e americano, gerando receita para sustentar o programa.
O objetivo declarado é reduzir a dependência da organização, permitindo que as mulheres se tornem economicamente independentes e, ao se formarem, possam reinvestir na comunidade sem apoio contínuo. A liderança é predominantemente local, com 14 funcionários Ugandas mantendo a operação.
Desafios persistem, incluindo violência de gênero e barreiras culturais na zona rural. Líderes do programa ressaltam a importância de fortalecer a confiança das participantes e de criar ambientes seguros para que elas avancem com seus projetos.
Salima planeja ampliar o negócio para um espaço maior, com novas atividades de limpeza e maior contratação de mulheres, ampliando o impacto comunitário. A equipe da Zena reforça que a ambição é escalar o modelo e manter o foco em autonomia e responsabilidade das próprias participantes.
A iniciativa já contou com parcerias internacionais e popularidade de mercado, com a marca apresentando itens usados por celebridades. O programa também depende de apoiadores para manter a produção e a continuidade dos investimentos em capacitação e infraestrutura.
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