A pesquisa de 2013 sobre o “China shock” revelou que o aumento do comércio com a China resultou na perda de 1 milhão de empregos na manufatura nos EUA, impactando severamente comunidades dependentes dessa indústria. Agora, o economista David Autor, do MIT, alerta para um novo desafio: o “China shock 2.0”, que envolve a competição em tecnologias avançadas.
Autor destaca que a competitividade dos EUA em setores críticos, como semiconductores e inteligência artificial, está ameaçada. Ele observa que, após a primeira onda de perdas, algumas comunidades se recuperaram, mas os novos empregos gerados são predominantemente de baixa remuneração, em setores como educação e serviços de saúde. “Manufacturing, uma vez que começa a cair, nunca volta,” afirma Autor.
O impacto do primeiro choque ainda é sentido, especialmente entre trabalhadores da manufatura, que não conseguiram se reintegrar ao mercado. Autor explica que muitos desses trabalhadores, predominantemente homens brancos e nativos, tornaram-se menos móveis e menos propensos a buscar novas oportunidades. “Essas áreas não são cidades fantasmas, mas a recuperação não trouxe prosperidade,” ressalta.
O novo desafio, segundo Autor, é mais grave. “Estamos em meio a uma competição totalmente diferente com a China,” afirma. A perda de empresas como Boeing e GM poderia ser devastadora para a economia americana. Ele sugere que o foco deve ser em investir em setores estratégicos e não em proteger empregos de montagem de baixo valor.
Autor conclui que as lições do passado não foram totalmente aprendidas. “Fizemos isso rápido demais e não apoiamos as pessoas adequadamente,” diz. Para enfrentar o “China shock 2.0”, é crucial que os EUA desenvolvam políticas eficazes que priorizem a inovação e a liderança econômica.
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