As negociações de fusões e aquisições caíram drasticamente no segundo trimestre de 2023, atingindo o menor nível em uma década, exceto pelos primeiros meses da pandemia de Covid-19. O total de acordos anunciados foi de aproximadamente 10.900, conforme dados do London Stock Exchange Group. Esse número é o mais baixo desde 2015, excluindo o segundo trimestre de 2022, quando os lockdowns impactaram os mercados.
A incerteza geopolítica e as tarifas impostas pelos EUA em abril contribuíram para essa desaceleração. Empresas e investidores estão enfrentando um cenário mais volátil do que o esperado, levando a uma postura cautelosa nas negociações. Lorenzo Corte, chefe global de transações do escritório de advocacia Skadden, destacou que, após um início promissor, a atitude nas salas de reuniões mudou.
Apesar da queda no número de acordos, o valor total das transações permaneceu estável em US$ 969 bilhões (R$ 5,2 trilhões), sustentado por alguns mega-acordos. Entre as principais transações do trimestre, destacam-se a aquisição de US$ 35 bilhões (R$ 189 bilhões) da Charter Communications pela Cox e a privatização de US$ 33 bilhões (R$ 178 bilhões) da maior subsidiária da Toyota Motor.
Desafios e Oportunidades
A indústria de private equity também enfrentou dificuldades, com uma queda acentuada nas aquisições, que passaram de cerca de 2.500 no primeiro trimestre para aproximadamente 1.850 no segundo. Jens Welter, do Citi, observou que os negociadores estão focados em aquisições de empresas públicas e na venda de ativos não essenciais, buscando estruturar transações para mitigar riscos.
Embora o cenário atual seja desafiador, alguns especialistas permanecem otimistas. Oliver Smith, da Davis Polk, mencionou que a demanda reprimida por grandes transações pode impulsionar a atividade no segundo semestre, à medida que as empresas se adaptam à incerteza do mercado.
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