O mercado editorial brasileiro enfrenta uma crise profunda, com uma queda de 44% no faturamento entre 2006 e 2024, conforme a “Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, divulgada em 8 de outubro. Coordenada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), a pesquisa revela que o setor de livros didáticos e técnicos foi o mais afetado, com retrações de 51% e 61%, respectivamente.
Em 2024, pela primeira vez em quase duas décadas, o número de livros didáticos vendidos ficou abaixo de 30 milhões. A queda de 10% no ano passado contribuiu para o desempenho negativo do mercado. O segmento de livros gerais, que antes representava menos de 30% do faturamento, alcançou 39% em 2024, embora tenha encolhido 5% no último ano. O preço médio das obras gerais, apesar de estar 27% abaixo dos níveis de 2006, tem se recuperado.
Desempenho dos Subsetores
Os livros religiosos se destacaram como o único segmento com desempenho positivo, apresentando uma queda de apenas 10% entre 2006 e 2024 e um crescimento de 4% no último ano. No entanto, as vendas ainda estão 22% abaixo da média da década anterior. A presidente da CBL, Sevani Matos, destacou a necessidade urgente de políticas públicas para fomentar a leitura e a produção editorial no Brasil, alertando que o encolhimento do mercado impacta diretamente a formação de leitores e o acesso ao conhecimento.
A economista Mariana Bueno, da Nielsen BookData, ressaltou os desafios enfrentados pelo setor, incluindo a quebra de grandes redes de livrarias e a entrada da Amazon no mercado. Ela observou que o mercado de livros didáticos e técnicos está passando por transformações significativas, enquanto o nicho religioso enfrenta dificuldades para recuperar preços estagnados desde 2013.
Crescimento do Conteúdo Digital
A pesquisa também revelou um crescimento no conteúdo digital, que representa 2,9% do total do mercado editorial. O faturamento com e-books e audiolivros cresceu 0,6% no último ano, enquanto outras modalidades de comercialização, como bibliotecas virtuais e cursos online, aumentaram 30%. Desde 2019, o preço médio dos e-books caiu 30%, e o faturamento do setor com conteúdo digital aumentou 200%.
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