Os trabalhadores da indústria de vestuário na Ásia, especialmente em Camboja e Sri Lanka, enfrentam uma nova crise. O governo dos EUA anunciou tarifas de 36% sobre as exportações de vestuário do Camboja e 30% sobre as do Sri Lanka, a partir de 1º de agosto. Essa medida gera preocupações sobre a perda de empregos e a segurança alimentar dos trabalhadores, que já vivem em condições financeiras precárias.
A decisão foi comunicada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, após um período de 90 dias de pausa nas tarifas, destinado a negociações. Apesar de as novas taxas serem inferiores às propostas anteriormente, a incerteza permanece. O setor de vestuário é crucial para a economia desses países, com o Camboja exportando mais de US$ 3 bilhões em roupas para os EUA em 2022, enquanto o Sri Lanka gerou US$ 1,9 bilhão.
Trabalhadores como Nao Soklin, do Camboja, expressam sua preocupação: “Se perdermos nossos empregos, não conseguiremos alimentar nossas famílias.” O setor emprega mais de 900 mil pessoas no Camboja e cerca de 350 mil no Sri Lanka. A situação é alarmante, pois a maioria dos trabalhadores é composta por mulheres, que já enfrentam salários baixos e condições de trabalho difíceis.
Negociações e Desafios
Os líderes de ambos os países tentam negociar reduções nas tarifas. O secretário geral da Joint Apparel Association Forum do Sri Lanka, Yohan Lawrence, alertou que a tarifa de 30% pode prejudicar a competitividade do país em relação a concorrentes como o Vietnã. Autoridades do Camboja também buscam um acordo que reduza ainda mais as taxas.
Analistas apontam que as tarifas ignoram os benefícios que os EUA obtêm de acordos comerciais existentes, como preços mais baixos para roupas. A imposição de tarifas elevadas pode prejudicar o desenvolvimento econômico que os EUA anteriormente apoiaram. A rivalidade estratégica entre os EUA e a China também influencia as negociações, já que muitos insumos para a produção de vestuário vêm da China.
A pressão sobre os trabalhadores aumenta, com muitos considerando a migração para Tailândia em busca de emprego, mesmo que de forma ilegal. A incerteza sobre o futuro do setor de vestuário na Ásia se intensifica, enquanto os trabalhadores clamam por apoio e soluções que garantam suas vidas e sustento.
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