O segundo turno das eleições presidenciais na Bolívia ocorrerá em outubro, entre Rodrigo Paz Pereira, do Partido Democrata Cristão, e Jorge Quiroga, da Alianza Livre. Ambos os candidatos apresentam propostas divergentes para enfrentar a crise econômica que o país atravessa, marcada pela escassez de moeda estrangeira e alta inflação.
A Bolívia enfrenta um cenário complicado, com a taxa de câmbio fixa de 6,9 bolivianos por dólar se tornando insustentável. O dólar paralelo já é negociado a cerca de 13,37 bolivianos. O próximo presidente terá que lidar com as consequências do declínio nas exportações de gás, que historicamente garantiram a entrada de dólares no país.
Desafios Econômicos
Os desafios incluem a necessidade de unificar o país e implementar reformas urgentes. A falta de dólares e a inflação crescente estão pressionando a economia, enquanto analistas alertam para a possibilidade de uma “dolarização de fato”. Jonathan Fortun, economista do Instituto de Finanças Internacionais, afirma que a Bolívia está “presa em uma forma mais perigosa” de dolarização, onde a moeda local perde sua função.
Paz Pereira defende um gradualismo, propondo a manutenção da taxa de câmbio oficial com apoio de dívida renegociada e subsídios parciais. Em contrapartida, Quiroga sugere uma correção imediata com uma taxa de câmbio flexível e um acordo com o FMI para injetar até US$ 4 bilhões.
Caminhos para o Futuro
A Control Risks destaca que, sem financiamento externo e uma âncora fiscal confiável, a Bolívia enfrentará mais escassez e inflação. O atual regime cambial está à beira do colapso, e a manutenção da paridade depende de condições que não existem atualmente.
Luis Fernando Romero Torrejón, economista, alerta que a taxa de câmbio fixa só pode ser mantida com disciplina fiscal e reservas internacionais. A falta de uma estratégia clara pode levar a um cenário de inflação e informalidade, onde a moeda local perde ainda mais valor. O próximo presidente terá que escolher entre “anestesia ou cirurgia” para enfrentar a crise econômica.
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