O IPCA-15 de agosto registrou uma deflação de 0,14%, superando as expectativas do mercado, que previa uma queda de 0,20%. Este resultado é o mais significativo desde setembro de 2022 e indica uma desaceleração em relação ao aumento de 0,33% observado em julho. A inflação acumulada em 12 meses agora é de 4,86%, próxima da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A deflação foi impulsionada por quedas nos preços de alimentos, como arroz e feijão, que devem apresentar retrações de 3% e 1,75%, respectivamente. Além disso, carnes também devem ter uma redução de 0,44%. Apesar desse cenário positivo, a pressão nos preços dos serviços limitou a magnitude da queda, conforme apontam análises de instituições financeiras como Bradesco e Itaú.
Expectativas para a Selic
Com a deflação abaixo do esperado, as chances de uma redução na taxa Selic ainda em 2023 foram praticamente eliminadas. A expectativa é que a Selic permaneça em 15% ao ano até o final de 2025. O Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter essa taxa na próxima reunião, conforme a ata da última reunião, que destacou a persistência da inflação elevada.
Os economistas projetam que a inflação pode terminar o ano em 4,86%, refletindo uma revisão das expectativas de mercado. A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natali Victal, observou que o resultado da prévia pode reduzir o ímpeto das revisões baixistas nas projeções para 2025.
Cenário Econômico
O cenário atual sugere que a renda fixa continuará atraente para investidores, mesmo com a bolsa de valores brasileira considerada barata. A relação preço/lucro ainda não é suficiente para atrair um fluxo significativo de investimentos. A pressão persistente nos preços, especialmente no setor de serviços, pode levar a uma ampliação da diferença entre a inflação real e a meta.
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