O Brasil enfrenta um desafio significativo em relação à concentração de dados em poucos provedores, o que gera um risco sistêmico para a infraestrutura digital do país. O diretor de tecnologia da Approach Tech, Rafael Oneda, alerta que qualquer falha em um desses provedores pode ter um impacto nacional. A exigência da IN05/2019, que demanda que dados públicos permaneçam em território nacional, centraliza ainda mais a infraestrutura em São Paulo, aumentando a vulnerabilidade.
A expansão de data centers no Brasil não é suficiente para mitigar essa dependência. Oneda enfatiza que, mesmo com mais locais físicos, a falta de diversidade na orquestração técnica mantém o risco. Ele aponta que, globalmente, a maior parte da infraestrutura digital é controlada por empresas americanas, o que resulta em uma dependência estratégica. Para enfrentar essas questões, especialistas recomendam a adoção de um modelo de nuvem híbrida e multicloud, que distribui aplicações críticas entre diferentes provedores, aumentando a resiliência.
Tendência Global
A consultoria Gartner prevê que até 2027, 90% das corporações adotarão abordagens híbridas, integrando nuvens públicas e privadas com protocolos unificados de segurança. O vice-presidente da Gartner, Sid Nag, descreve essa mudança como uma transformação estrutural necessária para garantir visibilidade e governança em ambientes distribuídos. Essa abordagem possibilita a aplicação simultânea de políticas de segurança e continuidade em múltiplos provedores, reduzindo os riscos de interrupções totais.
Necessidade de Regulação
No entanto, o Brasil ainda carece de uma legislação robusta que trate de resiliência e arquitetura na nuvem. Embora a LGPD tenha sido um avanço, não existem políticas claras sobre continuidade e interoperabilidade. Oneda menciona a Frente Parlamentar de Segurança Cibernética como um passo positivo, mas ressalta que a legislação atual foca mais nos aspectos econômicos do que na infraestrutura crítica. Enquanto o mundo avança para arquiteturas abertas, o Brasil continua preso a um modelo de dependência concentrada, o que resulta em interrupções digitais sempre que um provedor falha no hemisfério norte.
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