O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, destacou durante o Bloomberg Línea Summit 2025 que gargalos regulatórios e fiscais são fatores limitantes para a competitividade do Brasil em comparação a outros países onde a empresa atua. Com unidades produtivas em 16 países, a JBS gera 53% de seu faturamento nos Estados Unidos, mas enfrenta desafios significativos no Brasil devido à complexidade tributária.
Tomazoni enfatizou que a necessidade de uma equipe fiscal robusta no Brasil é muito maior do que em mercados como o americano. Ele afirmou que “a equipe que nós temos de advogados nos Estados Unidos é muito menor do que nós temos aqui no Brasil”, refletindo a complexidade do sistema tributário nacional. Além disso, mencionou que o Brasil possui um número elevado de profissionais envolvidos na inspeção sanitária, embora isso não garanta melhor qualidade dos produtos.
Desafios e Oportunidades
O executivo também elogiou os esforços do Ministério da Agricultura em promover a autogestão como forma de aumentar a eficiência no setor. Ele defendeu a simplificação tributária como uma medida essencial para atrair investimentos de longo prazo e melhorar a competitividade do país. Tomazoni observou que o Brasil apresenta um número desproporcional de advogados em relação a engenheiros, o que considera inadequado para um país que busca aumentar sua competitividade.
A JBS, que opera em municípios menores, enfrenta dificuldades na qualificação da mão de obra. Para contornar essa questão, a empresa investe em parcerias com universidades e o governo, visando capacitar trabalhadores. O Instituto JBS, por exemplo, atende 1.100 crianças em período integral, combinando educação básica com formação técnica.
Comparações Internacionais
Tomazoni comparou a produtividade da pecuária brasileira com a dos Estados Unidos, ressaltando que, apesar do Brasil ter aumentado sua produção em 120% nos últimos 30 anos, utiliza 20% menos área. Ele apontou que os EUA, com um rebanho menor, conseguem produzir mais carne, o que evidencia a necessidade de estratégias que priorizem produtividade e sustentabilidade. O Brasil ocupa atualmente a 58ª posição em um ranking global de competitividade, segundo o IMD e a Fundação Dom Cabral, com espaço para melhorias significativas.
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