Drax, a empresa britânica de energia, revelou planos para converter parte de sua usina em North Yorkshire em um datacente de 100 MW. A decisão ocorre em meio a aumento da demanda por capacidades de IA e foi anunciada após a empresa pedir autorização de planejamento para construir o datacente próximo a Selby, com conclusão prevista para 2027. Inicialmente, o datacente deverá consumir energia da rede elétrica nacional, com possibilidade de fornecimento direto pela usina no futuro.
A instalação reutilizará terrenos, sistemas de refrigeração e transformadores que antes serviam à geração de carvão da planta, hoje adaptada para queimar pellets de madeira importados. O primeiro datacente usará a rede britânica, mas há estratégia para uso direto da energia gerada pela própria usina.
Contexto regulatório e sustentabilidade
O anúncio ocorre numa conjuntura de mudanças nos subsídios do governo a partir de 2026, que afetam a lucratividade da planta. O governo sinalizou redução de subsídios para a biomassa, sob avaliação de impacto para os titulares de energia.
Relatórios anteriores trouxeram controvérsias sobre a origem da madeira utilizada pela Drax. Investigações e reportagens da imprensa questionaram a sustentabilidade das matérias-primas, bem como a transparência sobre a cadeia de suprimento.
A FCA, regulador financeiro, mantém apuração sobre declarações históricas da Drax a respeito do abastecimento de pellets, incluindo possíveis incongruências com as regras de divulgação. A administração da empresa rebateu as críticas, afirmando que utiliza biomass de florestas bem geridas.
Fontes independentes apontaram possíveis importações de madeira de áreas antigas de alto valor ecológico, embora a Drax tenha alegado que não utiliza madeira de áreas de velha-growth designadas e ressalvou a presença de materiais de florestas bem manejadas.
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