Morgan Stanley apresentou, em 6 de janeiro, um Form S-1 à SEC para lançar o Morgan Stanley Bitcoin Trust, um ETF de Bitcoin à vista. O objetivo é oferecer exposição direta ao preço do BTC, sujeito à aprovação regulatória. O veículo consolidaria a custódia interna, sem uso de alavancagem.
O fundo é estruturado como um ETF passivo que busca replicar o desempenho do preço do Bitcoin em dólares, descontando taxas. Não utilizará derivativos nem estratégias ativas de gestão. Ao contrário de produtos terceirizados, a proposta mira veículos internos da casa.
A avaliação de progresso será diária, com o valor líquido de ativos calculado a partir de uma referência de preço agregada entre as principais exchanges de spot. As ações devem ser listadas em bolsa nacional, sob ticker ainda não divulgado, sujeito à aprovação da SEC.
Morgan Stanley Investment Management será o sponsor do trust, enquanto custódia e supervisão operacional ficarão a cargo de fornecedores designados. A criação e a retirada de ações ocorrerão apenas em blocos grandes por participantes autorizados, em dinheiro ou espécie.
Para criações e redemptions em dinheiro, contraparte de BTC terceirizada executará operações em nome do trust, com custos de negociação arcados pelos participantes autorizados. Investidores de varejo poderão negociar as ações apenas no mercado secundário, via contas de corretoras.
O filing ocorre em um momento de crescimento de ETFs de BTC à vista nos EUA, que já somam mais de 123 bilhões de dólares em ativos líquidos, representando cerca de 6,6% da capitalização total do Bitcoin. As entradas líquidas desde o início do ano superam 1,1 bilhão de dólares.
Observa-se, no mercado, que o ETF de Bitcoin à vista da BlackRock emerge como um dos maiores motores de receita, com alocações próximas a 100 bilhões de dólares, evidenciando o potencial de tarifas desse tipo de produto.
Contexto e desdobramentos
A move de Morgan Stanley acompanha a abertura de um fundo que mira Solana, indicando uma estratégia mais ampla de veículos de investimento ligados a cripto. Fundos de Solana já passaram de 1 bilhão de dólares em ativos.
A aposta da instituição envolve transformar parte da economia de investimentos em cripto, além de explorar a infraestrutura de corretoras já reconhecidas pelo público. A meta é oferecer exposição regulada a criptomoedas por meio de canais tradicionais.
No âmbito regulatório, a SEC continua avaliando propostas de ETFs de Bitcoin, com o objetivo de ampliar a oferta no mercado norte-americano. A atuação de Morgan Stanley está alinhada a uma visão de maior penetração institucional nesse segmento.
Para investidores institucionais, o veículo proposto permitiria acesso regulado ao BTC sem a necessidade de custódia própria, preservando a estrutura de criação e resgate diária para manter o preço próximo ao valor patrimonial.
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