O couro de pirarucu está no centro de uma cadeia de manejo sustentável que beneficia comunidades tradicionais da Amazônia e impulsiona um nicho de indústria da moda no exterior. Lançado para uso em botas e acessórios, o couro é obtido de peixe de água doce Gerido sob planos de manejo que visam preservar a espécie.
A maior demanda é nos Estados Unidos, especialmente no Texas, onde botas de estilo country ganham couro de pirarucu. A produção ocorre nos EUA e no México e envolve comunidades ribeirinhas brasileiras que vivem da pesca gerida de forma responsável no Amazonas.
Manejo, comunidades e política pública
A gestão do pirarucu foi consolidada com o apoio de organizações como a Mamirauá Instituto e a IBAMA, vinculadas ao governo federal. O regime permite a captura de até 30% dos adultos por área, mantendo 70% intocados para reprodução entre dezembro e maio.
ASPROC, associação de produtores de Carauari, representa 800 famílias em 61 comunidades. No ano anterior, a organização comercializou 180 toneladas de pirarucu, com o couro ganhando peso econômico ao financiar pagamentos aos pescadores.
Cadeia de valor e impactos locais
A logística de processamento e a disponibilidade de armazéns frios elevam o valor do couro, que é vendido a 170-200 reais por pele, acima do preço da carne. Plantas de frio e têxteis compram pele já limpa, aumentando a renda de comunidades participantes.
Nova Kaeru, maior fabricante de couro de pirarucu no Brasil, compra principalmente de plantas frias e de quatro associações locais. A empresa usa métodos de curtimento sem cromo, com óleos naturais e substâncias biodegradáveis, alinhados a práticas de sustentabilidade.
Desafios e perspectivas da cadeia
O controle ambiental e a fiscalização ainda enfrentam desafios, incluindo pesca ilegal que pressiona os preços e dificulta ganhos justos para os pescadores. Programas estratégicos visam ampliar áreas sob manejo e padronizar procedimentos entre estados.
O programa de manejo de pirarucu, iniciado em 2004, é visto como modelo de cooperação entre saberes tradicionais e ciência, unindo comunidades, universidades e órgãos federais. A ideia é ampliar a rede de gestão para outras regiões.
Mercado, renda e condições de trabalho
Os pescadores vinculados a organizações de manejo recebem, em média, entre 600 e 4.000 reais por temporada, complemento importante frente à volatilidade do mercado. A maior parte do valor agregado fica com frigoríficos e tannerys que processam e comercializam o couro.
A continuidade do programa depende de reconhecimento público e políticas públicas que valorizem a bioeconomia da Amazônia. A cooperação entre comunidades, indústrias e governo busca sustentar tanto a espécie quanto as fontes de renda locais.
Entre na conversa da comunidade