A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação Compliance Zero nesta quarta-feira para fortalecer a decisão do Banco Central de liquidar o banco Master, ligado a Daniel Vorcaro. A ação aponta para possíveis fraudes que, segundo investigadores, podem ser mais graves do que as já anunciadas.
A ofensiva envolve Vorcaro, familiares dele, o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. A PF apura captura de recursos no mercado que teriam sido desviados por meio de fundos para laranjas associadas a Vorcaro.
A investigação visa esclarecer a rota dos recursos captados pelo Master, incluindo empréstimos milionários a empresas com capital social baixo e aquisição de ativos deteriorados. A perícia busca verificar o atraso entre a origem dos recursos e o destino final, que seria em fundos e entidades vinculadas aos investigados.
A operação da PF ocorreu em duas frentes, com foco na venda de carteiras de crédito falsas do Master ao BRB, o banco público do Distrito Federal, e no desvio de recursos em uma intrincada estrutura de fundos. Estima-se que o prejuízo ao BRB possa superar R$ 4 bilhões.
Os trabalhos também visam entender o papel de entidades ligadas a Vorcaro no circuito financeiro, incluindo a apresentação de laranjas que teriam recebido os recursos desviados. A investigação envolve a participação de autoridades do STF após a transferência do caso da Justiça Federal.
A ação recebeu aval do ministro Dias Toffoli, que afastou dúvidas sobre o andamento das apurações. Toffoli chegou a indicar uma acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em momentos iniciais da coleta de depoimentos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia sinalizado que o caso pode envolver uma das maiores fraudes do setor bancário no país. A PF busca esclarecer também se houve capital estrangeiro interessado em adquirir o banco, sem que os nomes dos potenciais compradores fossem tornados públicos até o momento.
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