O governo americano voltou a colocar tarifas na agenda internacional durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, no início desta semana. A medida visa pressionar parceiros que discordam da política de Pequim, enquanto o governo busca ampliar o comércio fora dos Estados Unidos.
As tarifas voltaram ao foco após o presidente Donald Trump ameaçar novas tarifas a aliados europeus que se opõem às ações sobre Groenlândia. A tática foi recuada na quarta-feira, quando foi anunciada uma estrutura de acordo com a Otan para o Ártico. As negociações ocorrem em meio a tentativas de reconfigurar cadeias de suprimento globais.
O debate no Fórum destacou que muitos países estão diversificando relações comerciais e fortalecendo acordos regionais para reduzir a exposição a políticas tarifárias dos EUA. O ministro canadense das Finanças, François-Philippe Champagne, afirmou que há maior busca por estabilidade, previsibilidade e marco legal, itens ainda escassos no cenário atual.
A assinatura de um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul é citada como marco recente, após longos 25 anos de negociações, enfrentando obstáculos legais remanescentes. Analistas apontam que a diversificação de cadeias produtivas pode favorecer regiões que operam com mais equilíbrio entre partes.
A Organização Mundial do Comércio reforça a necessidade de maior diversidade de cadeias de suprimento para reduzir impactos de políticas protecionistas. A diretora-geral Ngozi Okonjo-Iweala ressaltou que tais movimentos ajudam a distribuir empregos e crescimento de forma mais ampla, com apoio internacional.
Segundo a Boston Consulting Group, a participação dos EUA no comércio global pode recuar de 12% para 9% até 2034, abrindo espaço para maior atividade econômica doméstica. Especialistas destacam que mudanças estruturais devem acelerar nesses próximos anos.
Relatórios de associações empresariais indicam ajustes nos fluxos comerciais. Em portos dos EUA, como Long Beach, houve queda nas exportações para o mercado americano, com aumentos nas relações com países do Sudeste Asiático. Na Europa, grandes portos ressaltam a necessidade de reação ágil a novo cenário.
Empresas e governos ressaltam a urgência de reconfigurar redes de suprimento. Executivos destacam que dependência de produção barata na China, energia barata na Rússia e defesa dos EUA precisam ser repensadas com urgência para manter competitividade global.
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