A NRF Retail’s Big Show, realizada no fim da primeira quinzena de janeiro em Nova York, reuniu o varejo mundial. O evento, organizado pela National Retail Federation, mostrou que a IA já é infraestrutura, não apenas vitrine, e mira produtividade e margem em tempos de custos altos.
A agenda destacou a inflação persistente, geopolítica, pressão salarial e cadeias de suprimento vulneráveis. O foco não foi apenas tecnologia, mas como manter preços competitivos e experiência estável para o cliente em contexto de risco elevado.
O varejo mostra três movimentos centrais. O primeiro é o uso contínuo de IA e automação para previsão de demanda, gestão de estoques e precificação dinâmica. Algoritmos ajudam a decidir o que comprar, quanto comprar e por quanto vender, loja a loja.
O segundo movimento é o *unified commerce*. Loja física, e-commerce, apps, marketplaces e social commerce convergem em plataformas únicas para oferecer preços, estoques e promoções coerentes ao cliente.
O terceiro vetor é gestão de risco e resiliência. Diversificação de fornecedores, produção mais próxima, contratos logísticos revisados e monitoramento em tempo real reduzem impactos de choques de frete e insumos, mantendo a fluidez da experiência de compra.
Essas tendências dialogam com o varejo brasileiro, especialmente supermercados. A ABRAS projeta crescimento de 3,2% na renda familiar em 2026, após altas de 3,7% em 2024 e 2025, com alimentação mantendo o crescimento acima do PIB.
O cenário fiscal e o crédito mais restrito ajudam a explicar o comportamento do consumidor: renda está estável, juros elevados dificultam financiamentos, e compras mensais tendem a ficar mais fragmentadas. O mix entre marcas e opções mais baratas ganha espaço.
No Brasil, tecnologia e IA aparecem como prioridades para manter competitividade. O desafio é traduzir as novidades globais em estratégias locais que preservem a experiência de compra e a eficiência operacional.
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