O Banco Central divulgou que as estatais federais registraram deficit de 5,13 bilhões de reais em 2025. O resultado indica que as despesas superaram as receitas no ano. O valor marca o segundo pior resultado da série histórica iniciada em 2002, atrás apenas de 2024.
O desempenho negativo foi amortecido pela composição das empresas não incluídas na contabilidade tradicional. Segundo o BC, Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea contribuíram para o rombo, sem considerar Petrobras, Eletrobras e bancos públicos.
O Correios tiveram forte impacto no déficit, com deterioração fiscal expressiva em 2025. O BND ainda aponta que a empresa enfrenta custos operacionais elevados e precisa manter o suporte financeiro público para se manter estável.
Correios e Eletronuclear
Correios enfrentam perspectiva de novos aportes e já avaliam necessidade de até 8 bilhões de reais em 2026 para enfrentar a crise. Em 2024 o déficit foi de 2,5 bilhões; até setembro de 2025 já havia ocupado 6 bilhões, com projeção de chegar próximo aos 10 bilhões no fechamento do ano.
O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, afirmou que o aporte pode vir via Tesouro Nacional ou novo empréstimo, caso seja necessário. A gestão interna ressalta que o modelo de negócio continua sob avaliação para manter serviços postais universais.
A Eletronuclear, por sua vez, informou ter caixa em nível pago de forma crítica, dificultando o cumprimento de dívidas a bancos públicos. O diretor-presidente interino afirmou que a empresa pode honrar compromissos apenas por dois a três meses, se não houver suspensão de cobranças dos empréstimos.
Angra 3 e desdobramentos
A interrupção das obras de Angra 3 é apontada como principal fator de drenagem de caixa para a estatal. A gestão da empresa pleiteia que bancos públicos suspendam temporariamente a cobrança de dívida para evitar sangria financeira.
O governo federal reconhece a piora das contas públicas associada aos déficits das estatais. No terceiro trimestre de 2025, o conjunto das estatais federais registrou faturamento de 1,02 trilhão de reais, com crescimento de 6,3% frente ao mesmo período de 2024.
O Ministério da Gestão reforçou que o investimento dessas empresas também subiu. Até o terceiro trimestre de 2025, os investimentos somaram 86,4 bilhões de reais, alta de 34,3% na comparação com 2024, mantendo tendência de incremento nos últimos anos.
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