No primeiro semestre de 2026, o Copom enfrenta um teste de credibilidade sem precedentes. O ciclo de cortes da Selic promete ser acompanhado de perto, assim como a reação do BC às eleições. Solange Srour, diretora de macroeconomia no UBS Global Wealth Management, aponta esse desafio.
A credibilidade do BC passa por mudanças na diretoria. Em 2026, todas as principais funções ligadas à política monetária devem ser ocupadas por indicados do governo. Diogo Guillen e Renato Gomes encerraram mandatos no fim de 2025, abrindo espaço para novas nomeações.
O BC já sinalizou cortes, ainda que de forma condicionada a cenários de inflação e câmbio. Srour avalia que a comunicação recente gerou dúvidas entre o mercado, mesmo refletindo uma trajetória de queda da inflação. A ata da última reunião pode esclarecer esse ponto.
Cenário macro e direção das políticas
A economia brasileira manterá ritmo resiliente, com crescimento próximo a 2% e inflação em torno de 4% em 2026, segundo a visão da UBS GWM. O câmbio continua a influenciar fortemente a desinflação, conforme a variação do dólar.
Para o ano, a expectativa é de cortes graduais da Selic, entre 2,5 e 3 pontos percentuais, encerrando 2026 entre 12% e 12,5% ao ano. A magnitude dependerá principalmente do comportamento do câmbio e da incerteza sobre 2027.
Nomeações e autonomia do BC
O mercado acompanha com atenção as nomeações para a Diretoria de Política Econômica e outras posições-chave. A autonomia formal existe, mas a credibilidade depende da atuação dos indicados. Exemplos como Gabriel Galípolo mostram que técnicos independentes podem conquistar confiança do mercado.
A diretoria de Política Econômica é considerada central, pois molda cenários, modelagens e a comunicação da instituição. A atuação dos novos indicados, especialmente em ano eleitoral, será decisiva para a percepção de independência do BC.
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