O empreendedorismo orienta a nova etapa da cooperação entre Brasil e Moçambique. Representantes moçambicanos estiveram em Brasília nesta semana para encontros com o Sebrae, com foco no fortalecimento de micro e pequenas empresas.
A missão resulta de uma declaração conjunta entre o Sebrae, a Agência Brasileira de Cooperação e o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas. O acordo prevê ações de capacitação, cooperação técnica e modernização do ambiente de negócios.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, abriu a pauta destacando resultados concretos e a continuidade do acordo firmado em Maputo, durante visita presidencial a Moçambique. A ideia é induzir desenvolvimento por meio do apoio ao pequeno empreendedor.
A comitiva moçambicana é liderada por Féliz Pedro Malate, diretor-geral do IPEME, e fica em Brasília até sexta-feira. Ao longo da semana, participam de programas do Sistema Sebrae voltados a gestão, planejamento e atendimento ao produtor rural.
Entre as pautas, estão gestão de serviços, encadeamento produtivo, formalização de empresas e ações dos programas Cidade Empreendedora, Sebrae Delas, Pró-Catadores e apoio a pequenas empresas.
Malate ressaltou a relevância do empreendedorismo na renda familiar moçambicana e viu na troca de experiências com o Brasil um caminho para ampliar projetos voltados às PMEs.
O encontro também tratou do planejamento do Fórum das Instituições de Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP, com data a definir em Maputo. A ideia é reunir países de língua portuguesa para debater políticas públicas.
Historicamente, a cooperação entre Brasil e Moçambique começou em 2008 com apoio do Sebrae. Entre os resultados, está a revisão do Estatuto das PMEs moçambicanas, concluída em 2022, inspirada na legislação brasileira.
Segundo dados oficiais, Moçambique tem cerca de 36 milhões de hectares de terras aráveis, com menos de 15% cultivados. O setor agrícola emprega mais de 70% da população, enfrentando desafios de produtividade e crédito.
No comércio bilateral de 2024, as trocas somaram US$ 40,5 milhões, com exportações brasileiras de US$ 37,8 milhões, destacando-se carnes de aves, perfumaria e móveis. O eixo empreendedorismo busca ligar políticas públicas, capacitação e geração de renda.
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