Seniores executivos da Drax questionaram internamente a validade das alegações de sustentabilidade da empresa, enquanto a companhia negava publicamente que usasse madeira de florestas antigas para alimentar a maior usina do Reino Unido. Documentos judiciais, apresentados a um tribunal trabalhista, revelam divergências entre declarações públicas e avaliações internas.
O caso envolve relatos de Panorama, da BBC, que em outubro de 2022 acusou a Drax de queimar madeira de florestas antigas no Canadá. A Drax negou as acusações, afirmando que 80% do material usado nos pellets vinha de resíduos da serraria e o restante seria material de descarte.
Mudança de tema: processos internos e consequências
Conforme os documentos, o CEO Will Gardiner garantiu a ministros e funcionários públicos que a empresa cumpria as exigências de subsídio que condicionam o uso de biomassa sustentável. Entretanto, executivos de compliance teriam dito ter dúvidas sobre a evidência disponível.
O ex-chefe de assuntos públicos Rowaa Ahmar, que moveu ação trabalhista, afirmou que a BBC abriu um debate sobre a sustentabilidade e que informações divergentes teriam causado confusão interna. Ela afirma que houve alerta de que a Drax poderia ter queimado pellets de florestas antigas desde 2019.
Aspectos regulatórios e desdobramentos
Relatos de registros internos indicam que houve preocupação com a precisa origem da madeira usada, o que poderia configurar dados de queima inadequados para as regras de subsídio. Paul Sheffield, diretor comercial, confirmou que a área de compliance levantou questionamentos.
O governo britânico, por meio da Ofgem, abriu uma investigação de 16 meses sobre governança de dados e origem das fontes de madeira. Em 2024, a Drax concordou em pagar 25 milhões de libras em compensação por falhas na governança de dados, segundo a reguladora.
Situação atual e próximos passos
A Ofgem informou não ter encontrado evidências de subsídios concedidos incorretamente nem de má-fase proposital de dados. A FCA avalia declarações históricas da empresa sobre a origem dos pellets. A Drax afirma que forneceu material de investigação às autoridades e que as conclusões da Ofgem foram contrastantes com alegações de falhas.
A Drax produziu cerca de 10% da eletricidade da Grã-Bretanha em 2024 e concluiu a transição de carvão para pellets de biomassa até 2023, mantendo o foco na governança e na rastreabilidade para sustentar seus critérios de subsídio.
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